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Franquias mantêm recuperação no 4º trimestre, mas sentem efeitos da pandemia

Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou nesta quarta-feira (3) o balanço consolidado do setor em 2020. A pesquisa revela que o setor manteve sua curva de recuperação no quarto trimestre de 2020, se aproximando dos níveis pré-Covid-19.

O estudo mostra, ainda, que o franchising registrou uma receita apenas 1,8% menor no período, comparado ao 4º trimestre de 2019, que foi de R$ 54,966 bilhões para R$ 53,976 bilhões. Considerando o desempenho do ano todo, porém, o impacto da pandemia foi maior, com o faturamento geral do setor recuando quase três anos.

Conduzido por André Friedheim, presidente da entidade, o evento online contou com a participação de Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, e Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

As políticas de isolamento social, principalmente o fechamento dos shoppings, e a queda dos índices de confiança do consumidor e do empresariado ao longo do ano se refletiram fortemente no setor. A mudança de hábitos do consumidor, principalmente nas áreas de entretenimento e turismo, e a queda do setor de serviços – segundo o IBGE, houve uma redução de 7,8% no ano passado – foram outros fatores importantes.

O maior impacto foi observado no segundo trimestre de 2020, seguido de uma recuperação gradual. De outro lado, a digitalização de processos e serviços, as políticas de auxílio emergencial e o aquecimento da construção civil foram movimentos importantes para dinamizar o setor, mas não suficientes para uma mitigação maior dos impactos.

“O ano de 2020 foi de fato um dos mais desafiadores para todos os setores da economia brasileira, e com o setor de franquias não foi diferente. Analisando o comportamento do setor ao longo do ano, com os estudos trimestrais e, adicionalmente, as consultas mensais feitas pela ABF, graças à participação de seus associados, vejo que o resultado poderia ter sido pior, mas as virtudes do franchising amenizaram a queda. Nós temos a força do trabalho em rede, uma alta capacidade de negociar com fornecedores e promover ganhos em escala, por exemplo, porém, é com muito esforço que o ecossistema do franchising está atuando para amenizar as perdas e os impactos nos negócios”, afirma André Friedheim, presidente da ABF.

Aberturas e fechamentos

Quanto ao movimento de abertura e fechamento de unidades, o levantamento indicou que o índice de unidades abertas em 2020 foi de 6,6% frente 9,2% no ano anterior. As fechadas chegaram a 9,2% ante 4,9% neste mesmo período, resultando num saldo de -2,6%. Este percentual resultou num total de 156.768 operações em 2020 contra 160.958 no ano anterior. Já os repasses tiveram uma pequena alta, avançando de 2,3% em 2019 para 2,5% no ano subsequente.

“De fato, alguns empreendedores não conseguiram atravessar um período tão longo de adversidade, mas notamos um imenso esforço das redes para manter suas operações, negociando ou suspendendo taxas e ajudando os franqueados a buscarem alternativas de redução de custos e faturamento. Em outros casos, o negócio foi repassado a um empresário mais capitalizado, uma opção muito importante para a perpetuação de negócios e empregos. Um acesso a crédito mais facilitado e a melhoria geral do ambiente de negócios nos ajudaria a manter ainda mais unidades e, portanto, a geração de empregos, renda e impostos”, afirma André Friedheim.

Média de unidades sobe

Uma das tendências do setor de franquias brasileiro é o aumento do número médio de unidades por marca, o que demonstra maior maturidade das redes. De acordo com o estudo da ABF, a exemplo do que ocorreu em 2019, essa média teve uma alta de 6,5%, saltando de 55,2 para 58,8 operações em média por marca no período pesquisado.

Esse dado corrobora com outra tendência: o crescimento da participação de multifranqueados, sejam multiunidades (donos de franquias de uma mesma marca), sejam multimarcas (proprietários de operações de diferentes redes).

Em relação ao número de redes, o balanço de 2020 indica que houve uma redução de 8,6%, cujo total passou de 2.918 para 2.668 marcas no período analisado.

“Embora algumas redes de menor porte tenham cessado suas atividades, essa diminuição se deve mais a marcas pequenas que deixaram de franquear ou empresas que planejavam se lançar no setor, mas postergaram seus planos. É importante ressaltar também que tivemos alguns movimentos de fusões e aquisições e que novas marcas continuam a chegar, mostrando a atratividade do mercado nacional”, explica o presidente da ABF.

(fonte: Mercado e Consumo)

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