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Startups protagonizam mudanças no varejo

O desenho é inconfundível: barrinhas alinhadas lado a lado. O código de barras é reconhecido em qualquer lugar, seja na etiqueta de uma roupa, na caixa de um eletrodoméstico ou no adesivo colado em uma fruta. Mas, muito mais que identificar produto e preço, o sistema tem um potencial incrível para a gestão e a potencialização do ponto de venda. De olho nesse nicho, startups mineiras oferecem soluções que trazem inteligência para o código de barras.

O diretor técnico da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, Roberto Matsubayashi, explica que grande parte dos códigos de barras que são encontrados no varejo é padronizada pela GS1 Brasil, que é uma organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de implementar e disseminar padrões de identificação de produtos. Ele destaca a importância do uso do código não só para a simples identificação do produto, mas para a inteligência que se pode tirar desses números.

“A qualidade dos dados de identificação de produtos é importante para que os processos sejam corretos e ágeis desde o chão de fábrica até a chegada do produto ao consumidor final, passando por todos os sistemas logísticos”, afirma. Ele explica que a utilização inteligente do código, assim como a automação de processos de maneira mais ampla é relativamente recente no Brasil, mas, ao mesmo tempo, um movimento crescente. “A indústria liderou esse movimento por um tempo, automatizando seus meios de produção, mas hoje essa é uma preocupação muito presente no comércio e nos serviços também”, diz.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci, confirma a análise de Matsubayashi. Ele afirma que a inovação no ponto de venda é “um caminho sem volta” e que os lojistas que não se adaptarem a essa realidade vão ficar para trás. “O Brasil passa por uma crise de grandes proporções que muito refletiu no setor de comércio e serviços. Mas precisamos sair dela fortalecidos e isso passa pela inteligência e pela tecnologia no ponto de venda. Os lojistas precisam buscar soluções para controlar o negócio com mais eficiência, rapidez e baixo custo, assim como ferramentas para melhorar a comunicação com seu cliente”, frisa.

Oportunidade – Enxergando nessa demanda uma oportunidade de mercado, empreendedores mineiros lançam soluções inovadoras que transformam as famosas barrinhas de identificação em informações valiosas para o varejista. Uma dessas soluções é a da startup Kcollector, que atualmente é acelerada pelo Fiemg Lab, programa da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) com sede em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A empresa criou uma versão mais inteligente e econômica para o coletor de dados, que é o aparelho utilizado no varejo para identificação de código de barras e geração de relatórios a partir dos dados coletados. A solução funciona por meio de um smartphone comum e a leitura do código é feita pela câmera do celular.

Entre as funções oferecidas pela solução estão controle de estoque e de consumo, pesquisa de preço em concorrente e controle de validade e de lote do produto. No início deste mês, a startup também lançou uma funcionalidade que é de conferência de mercadoria recebida, que dá segurança e agilidade para essa atividade corriqueira no varejo.

“O estabelecimento faz a compra e recebe uma nota fiscal em um arquivo XML. Até então, quando essa mercadoria chegava, era conferida manualmente por um funcionário. Com a nossa funcionalidade basta importar o arquivo referente à compra para a KCollector e, em seguida, fazer a leitura dos códigos dos produtos recebidos. Nosso sistema fará o cruzamento das informações, dizendo se o que foi comprado é o que chegou”, explica o CEO da startup, Antônio de Deus.

O empreendedor afirma que a solução democratiza o acesso ao coletor de dados, que era muito restrito aos grandes varejos devido ao seu custo. Segundo ele, um equipamento tradicional custa entre R$ 4 mil e R$ 30 mil. Já a Kcollector tem assinatura mensal de R$ 49,90 por usuário. Com um ano e meio, a startup tem cerca de 200 usuários ativos no País, entre supermercados, padarias, lojas de roupas e autopeças. A expectativa do CEO é chegar ao fim do ano com 500 clientes pagantes.

Outra startup mineira que também oferece a possibilidade de um uso mais eficaz do código de barras é a Forsee, que tem sede em Betim, na RMBH, além de uma filial em São José dos Campos, no interior de São Paulo. De acordo com o CEO, Márcio Mariano Júnior, a empresa oferece soluções de gestão inteligente para a indústria e cadeia de suprimento. “A partir das informações que vêm do código de barras e que são cadastradas no ERP do varejo, o software identifica padrões de consumo e informa o que está girando mais rápido e o que não está. Dessa forma, o gestor tem em mãos uma informação que vai ajudá-lo na gestão do seu estoque”, explica.

O CEO explica que esse processo fica ainda mais facilitado caso o sistema seja integrado com a fábrica, pois a informação é repassada automaticamente. Se para a fábrica a solução traz economia no processo produtivo, para o ponto de venda o ganho está principalmente na manutenção de um estoque reduzido e, ao mesmo tempo, diversificado. “Em tempos de crise, o varejo não pode se dar o luxo de ter um caixa empatado com o estoque. É primordial o uso de inteligência para liberar o caixa da empresa. Nós oferecemos isso com uma solução que reduz o estoque, dá sortimento de produtos aos clientes e reflete no aumento de vendas”, garante.

(fonte: Diário do Comércio)

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