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Restaurantes lutam contra o fechamento

Com as portas cerradas há cerca de 100 dias, nem todos os bares e restaurantes de Belo Horizonte encontraram no delivery a solução para reduzir os impactos das medidas de distanciamento social promovidas para o combate ao novo coronavírus (Covid-19).

A situação é alarmante, pois a pandemia nem chegou ao fim e a estimativa é de que 25% dos estabelecimentos já tenham encerrado permanentemente as atividades. E o número pode ser ainda maior quando chegar o chamado “novo normal”.

E, enquanto ele não chega, empresas conceituadas da alta gastronomia mineira e belo-horizontina vão tentando se reinventar. É parrilla que virou distribuidora; chef que aproveita a fama para fazer lives, ensinar receitas e cozinhar ao vivo com os fãs e, até mesmo, uma entrega personalizada com direito a menu completo. Mas há também os que não viram outra solução, senão encerrar o ciclo e se despedir de uma das Cidades Criativas da Gastronomia pela Unesco.

Este foi o caso do Mercado da Boca, por exemplo. Inaugurado em 2018, no Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). No último dia 23, o estabelecimento informou via redes sociais que não suportou a crise, mas garantiu que a recém-inaugurada filial da Savassi continuará funcionando e reabrirá as portas assim que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) permitir a retomada do setor.

O imóvel em Nova Lima onde funcionava o complexo já foi entregue à proprietária, a Construtora EPO, que informou que já busca novo inquilino para o imóvel. A reportagem tentou contato com os administradores do Mercado da Boca, sem sucesso.

Mas a lista não para por aí. Fundado há seis anos na Capital, o Alma Chef, por exemplo, encerra as atividades neste sábado (27), em uma live de despedida, em que serão preparados hambúrgueres que na sequência serão entregues aos consumidores que compraram os sanduíches antecipadamente. O restaurante estava funcionando no formato delivery desde o início da pandemia, mas as incertezas do cenário atual não o permitiu continuar.

“Nessa tentativa de redesenhar o mundo, de imprimir propósito em tudo o que fazemos, decidimos pausar nossas atividades”, anunciou a casa nas redes sociais no último dia 16 de junho. Já o Tasca do Miguel, também no Lourdes, em maio anunciou pelas redes sociais o fechamento da casa.

Indignação – De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Ricardo Rodrigues, a entidade tentou todos os caminhos possíveis em diálogo constante com a prefeitura, mas não alcançou êxito nas negociações para liberação das atividades das empresas do setor.

A associação chegou a recorrer à Justiça, no fim do mês passado, pedindo a reabertura dos estabelecimentos, sob alegação de falta de transparência da PBH no processo.

“Só queríamos uma data para que o empresário pudesse olhar para suas finanças e planejar seu retorno. Essa data nunca foi dada e está todo mundo esperando um possível anúncio, que nunca chegou. A incerteza para o administrador de um negócio com pouco capital de giro é fatal. Já são cerca de 100 dias fechados e estimamos que 25% do segmento de alimentação fora do lar já tenha quebrado. Mais do que isso, ainda há o receio de outros 10% ou 15% não conseguirem retomar as atividades diante de tanta regra e novidade”, explicou.

Nos últimos meses, conforme Rodrigues, a maior parte dos estabelecimentos adotou a alternativa do delivery. Para alguns deu certo, para outros não e muitos nem tentaram a modalidade, porque acharam que voltariam em breve. “Nunca tivemos um decreto com transparência, porque até os governantes estão perdidos”, completou.

Humberto Scalioni tinha dois restaurantes no Mercado da Boca Jardim Canadá – Marítimo e Tapas! Tapas! que, juntos, faturavam algo em torno de R$ 200 mil por mês. E, de repente, viu este número ir a zero e, agora, literalmente, fechar. Ele chegou a ter 20 funcionários fixos e 10 freelancers nos fins de semana, mas teve que dispensar todos.

“Vejo o fechamento com muita lamentação e tristeza, porque era um projeto inovador, moderno e único. A cidade e o Estado perdem, porque estamos falando de um centro de turismo e gastronomia que reunia todos os tipos de comida da alta gastronomia e com preço acessível”, justificou.

Scalioni ainda mantém o Esquina Parrillera, na unidade do Mercado da Boca Savassi e disse que as atividades do restaurante foram transformadas em distribuidora de cortes de carnes resfriados para serem entregues por delivery, e adiantou que vai reabrir o Marítimo no Vila da Serra no mês que vem.

O restaurante O Italiano, que funciona no Olhos d’Água, na região Sul de Belo Horizonte, adotou o delivery há cerca de 20 dias. E, segundo o sócio gestor da casa, Vinícius Veloso, tudo está sendo feito em vistas de evitar demissões e manter a cadeia de fornecedores e prestadores de serviço. Ele destacou as mudanças na vida das pessoas e na rotina dos estabelecimentos comerciais mesmo após a pandemia.

“Todos teremos que nos adaptar à nova realidade até que tenhamos uma vacina. O Italiano tem o privilégio de contar com uma área ao ar livre ampla que permite o distanciamento dos clientes e, obviamente, todas as medidas de segurança de higiene serão redobradas quando a casa reabrir, inclusive a equipe já foi treinada e está de prontidão à espera da liberação por parte das autoridades”, afirmou.

No caso do Gomez Restaurante, no Lourdes, região Centro-Sul da Capital, a primeira opção diante das restrições de funcionamento também foi o delivery tradicional, por meio de aplicativos. Para tal, o cardápio foi reestruturado e os investimentos em publicidade nas redes sociais incrementados. Mas, segundo o proprietário da casa, Renzo Sudário, com o passar do tempo, constatou-se que as vendas mensais correspondiam apenas a 5% do faturamento tradicional.

Foi então que buscaram a alternativa de levar a experiência do restaurante para dentro da casa das pessoas e, agora, oferecem a experiência completa, por meio da comercialização do ‘Box GomeZ’ – um kit com entrada, duas opções de pratos principais e sobremesas. A ideia é que o produto seja mantido no cardápio até mesmo quando a casa reabrir.

“O plano foi colocado em prática no Dia dos Namorados, quando criamos três kits de jantar exclusivos para a data. O resultado foi tão surpreendente que apenas o faturamento do Dia dos Namorados foi equivalente a quase dois meses do delivery tradicional”, revelou.

O Villa Giannina, localizado no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul, também está operando via delivery, mas, além dos pratos tradicionais, também atende a encomendas, sendo ideais para comemorações, mesmo que restritas. Assim, o restaurante, que antes operava em formato self-service e massas a montar, além de encomendas e eventos, desenvolveu um menu à lá carte para a nova modalidade de operação.

Diariamente, há opções de entrada, pratos principais, pratos fit, saladas, sobremesas e, em alguns dias da semana e nos fins de semana, há sugestões do chef que incrementam o cardápio.

(fonte: https://diariodocomercio.com.br/negocios/restaurantes-lutam-contra-o-fechamento/ )

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