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Para sobreviver, papelarias ganham nova roupagem

O “volta às aulas” já foi o Natal do setor de papelarias, um dos ramos mais tradicionais do comércio. Há cerca de duas décadas, o período representava 80% do faturamento desses comerciantes, sendo que 50% do valor das vendas era equivalente aos livros didáticos. Hoje, esse montante caiu para 45% e 25% respectivamente, e por alguns motivos bem simples.

O primeiro é alta concorrência do setor, disputado por cerca de 74 mil estabelecimentos no país, -e que também enfrenta competição acirrada com supermercados, farmácias, escolas e até com os próprios fabricantes.

O segundo é a transformação digital e a integração de canais de venda. E por último, o principal: o bom e velho consumidor, cada vez mais exigente, conectado e em busca de conveniência e novas experiências de compra.

Para atender ao consumidor de hoje, é preciso ir apostar em um mix diferenciado de produtos, investir em visual merchandising e até criar estratégias digitais próprias – que incluem a parceria com blogueiros e influencers – para que a papelaria se torne muito mais do que um mero espaço de comercialização.

Essa é a proposta da 33ª edição da Escolar Office Brasil, cujo mote é “O mundo das experiências e soluções”, que começa no próximo domingo (4/08) e se estende até quarta-feira 7 na Expo Center Norte, na capital paulista.

Como principal novidade, para mostrar, na prática, como adotar técnicas simples e eficazes para transformar as lojas num ambiente charmoso, atrativo e, claro, lucrativo, a feira apresentará a “Papelaria e Livraria Conceito”.

No espaço, que tem uma proposta moderna e inovadora, os visitantes poderão conhecer estratégias eficientes de vendas avulsas e casadas, entender como melhorar a distribuição de marcas e categorias e racionalizar o fluxo e circulação de clientes, segundo Valeska Oliveira, gerente de negócios da Escolar Office Brasil.

Além de ser um reflexo do mercado, trazer papelaria e livraria juntas na mesma loja é uma forma de apresentar soluções e insights, assim como oportunidades de negócio gerados por essa junção  o que inclui as pequenas e médias papelarias, que também podem se destacar ao se adaptarem a essa nova realidade do mercado.

“O consumidor procura comodidade, conveniência e praticidade. E encontrar tudo isso num espaço agradável e ainda comprar pela internet, além de imprescindível, é excelente para ambos os lados”, diz Valeska.

Na edição 2018 da Escolar office Brasil, as rodadas de negócios geraram R$ 4,139 milhões em 211 reuniões realizadas com 19 compradores. Para essa edição, além de manter a expectativa de público de 15 mil visitantes, 25 compradores vão participar das rodadas – o que deve gerar um aumento de 15% em volume de negócios, sinaliza Valeska. Para mais informações sobre a programação do evento, clique aqui.

OU MUDA OU DESAPARECE 

Na ativa desde 1972, a Livraria e Papelaria MEC, que opera com sete unidades, está sempre em mutação. Principalmente quando percebeu as mudanças do comportamento do consumidor, a concorrência, as transformações digitais, e concluiu que não poderia mais ficar refém do lucro extra e significativo do volta às aulas de antes.

“O único caminho para se destacar foi oferecer outro mix de produtos, como artesanato, informática, material de escritório e de atendimento corporativo, presentes e até brinquedos – uma forma que encontramos de crescer as vendas durante o ano todo”, afirma Paulo Freire, proprietário da Livraria MEC, que fará palestra na Escolar Office com o tema “Planejamento estratégico, e-commerce e mix de produtos: qual é o futuro da papelaria?”.

Com base em sua própria experiência na MEC, Freire aponta algumas estratégias utilizadas na rede de lojas para manter a lucratividade em qualquer época do ano. Como as redes sociais, que não geram custo algum para manter um perfil, mas poucos lojistas ainda sabem ou conseguem aproveitar.

Como fazer parceria com blogueiros e influencers para mandar produtos, convidar para conhecer lançamentos e fazer demonstrações, dando créditos em troca de postagens para aumentar a visibilidade da loja.

“Por conta da rede social, surgem muitos modismos: se o blogueirinho postou algo em tons pastéis, com unicórnios  ou sobre slime, o tema vai bombar -e sua loja deve aproveitar esses modismos para virar referência”, diz.

Também é preciso pensar, a curto prazo, na evolução de um e-commerce: o cliente quer comodidade, quer comprar sem sair de casa ou ir na loja e encontrar o produto separado para retirada.

“Mas também quer atendimento via whatsapp, via rede social e receber retorno disso – uma estratégia que gera custo mínimo ou zero para o lojista.”

Ainda que as vendas online de papelaria correspondam, em volumes, a menos de 10% das lojas físicas, elas crescem em torno de 20% ao ano, lembra Freire. “É uma realidade, e é preciso estar preparado. A não ser que você vá se aposentar”, brinca.

A MEC adotou o e-commerce há quatro anos, e conta com uma pessoa para cuidar exclusivamente de gestão de redes sociais, para fazer cotação de preços via Instagram e Facebook com grupos de mães, que são influenciadoras na decisão de compra, compartilham experiências e só vão à loja para fazer pagamentos e retirar produtos.

“Mas 90% vão porque querem escolher a capa do caderno, a mochila… o que mostra que a experiência de compra conta muito” afirma. “Mas as vendas de papelarias vem caindo, por isso é importante investir no mix, já que 5% a 10% das compras são influenciadas pelo online”, completa.

O visual merchandising (VM) -o maior influenciador de venda dentro da loja, segundo Freire – é um dos fatores mais importantes. Segundo o especialista Ará Cândio, fundador da Viu Visual Merchandising que palestrará na Escolar Office, a aplicação de técnicas do VM devem estar sempre focadas em um discurso que dê vida aos produtos, para que eles demonstrem, através de uma apresentação visual, sua importância para o dia a dia do consumidor.

Algumas técnicas, inclusive, são de uso imediato, como sugerir presentes em datas comemorativas em pontos importantes e focais dentro da loja – os chamados hot spots, com produtos casados que passem a informação de data comemorativa de que fazem parte. Além de simples, a estratégia não gera necessidade de investimento, por se tratar apenas de utilizar melhor a coordenação de produtos já existentes e à venda na loja, segundo Cândio.

“A experiência do consumidor dentro da loja conta muito mais do que apenas o discurso de que ela é apenas funcional. Uma loja atual, com a ajuda de um bom serviço, vende emoção”, afirma.

Além da experiência no ramo, Freire, da MEC, que citou os números que abrem esta reportagem, também é um observador da gestão desse tipo de varejo, em geral pequeno ou médio e administrado por empresas familiares.

“São empresas administradas com pouco profissionalismo, sem redes sociais, sem site… Elas podem até continuar na ativa, mas não vão crescer muito mais que isso, e o mercado hoje não aceita mais amadores”, afirma, lembrando que, no setor, virar referência depende de ficar atento às novidades e se tornar especialista no que vende.

Ele também provoca as pequenas papelarias a se imaginarem daqui a cinco, dez anos: integrante da terceira geração de papelarias que começaram na época do seu avô e do seu pai, Freire percebeu que poucos deram ou dão  continuidade ao negócio, porque a maioria ainda seguiu tocando a empresa de forma amadora.

“No atual cenário, quem insistir no tradicional não dura anos. Ou apenas cinco, para ser bonzinho”, afirma.

(fonte: https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/para-sobreviver-papelarias-ganham-nova-roupagem )

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