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MEI é a única modalidade de empresa que está crescendo

Do início da pandemia até agora, a vida da jornalista Bárbara Camilo, 31, deu uma reviravolta. Após ser demitida de um cargo de chefia, no qual atuou por oito anos, ela passou a ser microeempreendedora individual (MEI). De repente, colocou literalmente a mão na massa e virou especialista em donuts. Essa necessidade de gerar renda após perder o emprego está por trás do crescimento de 8,8% dos MEIs no primeiro semestre. Uma pesquisa do Sebrae revela que, de todos os pequenos negócios em Minas Gerais, apenas essa modalidade conseguiu crescer em relação ao ano passado.

Minas tem o terceiro maior saldo do Brasil

Minas Gerais é o Estado com o terceiro maior crescimento no saldo de microempreendedores individuais (MEIs) no primeiro semestre de 2020. Entre aberturas e fechamentos desse tipo de negócio, os mineiros estão atrás apenas do Rio de Janeiro e do Paraná. “Minas concentra grandes empregadores. Na medida em que a crise acelera, aumentando as demissões, mais gente vai buscar trabalho por conta própria, o que impulsiona a abertura d</CW><CW-18>os MEIs”, explica o gerente de inteligência empresarial do Sebrae, Felipe Brandão.

Neste ano, a nutricionista Jeane Rocha, de Teófilo Otoni, no Norte de Minas, abriu uma pequena fábrica de polpas de fruta e ajudou a engrossar as estatísticas do MEI no Estado. Apesar de a decisão não ter relação direta com a pandemia, o negócio tem recebido influências. “Eu já tinha esse plano. Com o isolamento, as pessoas começaram a pedir muito mais produtos por delivery, e as vendas cresceram”, conta Jeane, que buscou apoio do Sebrae para criar o rótulo da Lili Polpas.
Do primeiro semestre de 2019 para cá, o saldo entre as empresas que abriram e fecharam caiu 42,6% para as microempresas, categoria que fatura até R$ 360 mil por ano e pode empregar no máximo 20 funcionários. Para as empresas de pequeno porte (EPP), que faturam entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões por ano e podem empregar até cem pessoas, a queda no saldo foi de 12,1%. O MEI tem faturamento anual de no máximo R$ 81 mil e só pode empregar uma pessoa.

No caso da Bárbara, a motivação para abrir o MEI veio do desemprego. Entretanto, o gerente de inteligência empresarial do Sebrae Felipe Brandão ressalta que o crescimento da modalidade também pode ser explicado pelo reenquadramento dos negócios impactados pela pandemia.

“Com a redução da circulação de pessoas e a queda nas vendas, vários empresários fecharam os negócios e passaram a atuar como empresas de menor porte. Outros encerraram a atividade e começaram em outro ramo. Por exemplo, uma loja de roupa que fechou e o dono abriu um MEI para vender apenas pelas plataformas digitais”, explica Brandão.
O especialista ressalta que, sempre que há uma crise econômica, o desemprego aumenta, e a busca pelo trabalho por conta própria cresce. “O MEI acaba surgindo como uma política pública de formalização desse trabalho”, justifica Brandão.

É nessa segunda explicação que a Bárbara se enquadra. “Em março, eu fui demitida. Um casal de amigos começou a fazer donuts, em casa mesmo, e eu resolvi investir. Testamos vários sabores, depois eu também aprendi a fazer a massa. Os pedidos cresceram tanto e tão rápido que agora eu tive até que dar uma parada de dez dias, para alugar um local para a produção”, conta a microempreendedora, que já considera até aumentar o porte da recém-criada empresa Zé Donut.

(fonte: https://www.otempo.com.br/economia/mei-e-a-unica-modalidade-de-empresa-que-esta-crescendo-1.2384526 )

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