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Marcas pequenas de moda “plus size” crescem na internet

Cerca de 60% da população brasileira está acima do peso, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas apenas 18% das lojas oferecem opções em tamanhos grandes, a partir do número 46.

Essa fatia do mercado de roupas movimentou R$ 1,8 bilhão em 2015, segundo a Abravest (associação do setor de vestuário), mas ainda tem potencial para crescer.

As melhores oportunidades, dizem especialistas e empresários do setor, estão nas lojas virtuais.

O e-commerce é uma modalidade mais viável de consumo para um grupo que relata sofrer preconceito e desatenção de vendedores e encontrar pouquíssimas opções nas lojas físicas conhecidas.

Em pesquisa realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) neste ano, 91,4% dos entrevistados afirmam que os vendedores não estão preparados para vender roupas de tamanhos maiores.

O comércio virtual foi a aposta da Flaminga, que reúne mais de 50 marcas, com peças a partir do número 44. Criada em 2013, a empresa teve investimento de R$ 300 mil. Em 2015, o faturamento foi de R$ 3,5 milhões, segundo seus proprietários, e a estimativa para o fim deste ano é de 35% de crescimento.

“O on-line é bom porque elimina a experiência de compra ligada à frustração e ao constrangimento. Há variedade, e a cliente pode trocar a peça se precisar”, diz a sócia Cynthia Horowicz, 52.

No início, a meta era escolher “marcas-desejo” para a loja virtual, mas Horowicz percebeu que a tarefa não seria fácil. “Era complicado encontrar produtos de qualidade. Alguns fabricantes têm preconceito, não querem se associar com esse segmento.”

Um dos itens mais vendidos do site é a bota de cano alto sob medida, feita para panturrilhas mais cheias, que custa cerca de R$ 490, além dos biquínis e shorts jeans.

A loja on-line Rouge Marie, já conhecida no ambiente virtual, agora vai complementar as operações com uma loja “pop up”, que funciona apenas por um período curto.

“Queremos mirar quem tem receio de comprar pela internet e tentar atrair essa clientela”, afirma a sócia Ludmila Batista, 39, estilista.

A ideia é abrir aos sábados e promover encontros com blogueiras e pessoas influentes na área.

Criada há três anos, a marca teve investimento inicial de R$ 100 mil. Batista não informa o faturamento, mas diz crescer 15% ao ano.

Segundo o consultor do Sebrae-SP Bruno Zamith, o maior desafio para empresas do setor é a padronização dos tamanhos das roupas. No Brasil, não há regras para isso. Por esse motivo, peças com a mesma medida podem ter diferentes numerações, de acordo com cada confecção.

“O mercado on-line poderia estar mais aquecido, mas perde com isso”, diz Zamith.

Uma estratégia das empresas é divulgar as medidas da peças em centímetros para que as clientes comparem com seu próprio corpo.

NA PASSARELA

A oferta pequena e dispersa de roupas em tamanhos maiores ainda existe. As próprias consumidoras, como as jornalistas Renata Poskus, 34, e Flávia Durante, 39, se organizam para dar mais visibilidade às opções.

Flávia é a cabeça por trás do Bazar Pop Plus Size, feira de marcas do segmento realizada quatro vezes ao ano desde 2012, em São Paulo. Hoje, cerca de 50 expositores participam do evento.

“Queria descobrir quem fazia coisas legais na área, que era vinculada a uma coisa meio de tia-avó”, diz. “Hoje, temos lista de espera. É moda como identidade e dignidade, ninguém está aqui fazendo apologia da gordura.”

Já Poskus foi uma das criadoras do Fashion Weekend Plus Size, que teve a sua 14ª edição em 24 de julho, também na capital paulista.

Ela diz ter notado o descompasso entre oferta e procura. “Se você tem 200 lojas em um shopping e só duas atendem uma fatia equivalente à quase metade da população, algo está errado.”

Para quem pensa em investir no setor, Poskus, que veste entre 46 e 48, dá a dica: “Temos três nichos muito mal explorados: adolescentes, fitness e moda festa.”

(E-commerce Brasil)

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