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Lojas vagas em malls da Grande BH encheriam shopping center inteiro

O número de lojas vagas nos shopping centers da Grande Belo Horizonte seria o bastante para encher um centro comercial de grande porte, com cerca de 300 lojas, segundo estimativa da Associação de Lojistas de Shopping Center de Minas Gerais (Aloshopping). Alguns dos maiores empreendimentos da capital mineira não revelam exatamente quantas de suas lojas foram fechadas e estão vagas durante a pandemia, mas a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) indica que, nacionalmente, a taxa de pontos desocupados quase dobrou de 2019 a 2020, passando de 4,7% para 9,3%.

A Aloshopping calcula que as vendas nos centros comerciais despencaram 40% e não foram recuperadas durante um Natal frustrante. Com um primeiro trimestre tradicionalmente difícil para o setor, o superintendente da associação, Alexandre França, prevê que a escalada da vacância continuará. “No ano passado, muitos lojistas saíram dos shoppings, mas a vacância não passou de 10% a 15%, já que alguns lugares fizeram negociações e colocaram lojistas de grandes redes no lugar de quem saiu. Agora, a bolha vai estourar”, diz, lembrando que os shopping centers da Grande BH reúnem por volta de 2.800 lojas.

Na perspectiva dele, fatores anteriores à pandemia e agravados por ela pressionam essa bolha. Ela soma os custos de aluguel e condomínio cobrados pelas administradoras, que ele considera altos, e a gradual mudança do comportamento do consumidor, que migra para as compras online. “Agora é a hora da verdade. A vacância vai crescer muito se os shoppings não negociarem, e eles não estão dispostos a fazer isso. O custo de operação de uma loja em um shopping deveria ser de no máximo 10% sobre o faturamento da empresa. Mas a média está em 20%, em alguns casos ele chega a 30%”, completa França.

Esse custo operacional inclui condomínio, aluguel, que prevê uma 13ª parcela, e um fundo de promoção — valor pago pelos lojistas com destino à publicidade do shopping center. França diz que aluguéis foram negociados durante o fechamento dos shoppings, que durou cerca de seis meses em 2020, porém agora a cobrança foi retomada. Por outro lado, os administradores de shopping também tiveram lucros abocanhados, segundo a Abrasce, que estima queda histórica de 33,2% do faturamento do setor, além de uma abstenção de R$5 bilhões com adiantamentos e suspensão de despesas dos lojistas.

A associação de shopping centers justifica que, desde o início da pandemia, o setor esteve em diálogo com os comerciantes, o que é ecoado por algumas das grandes redes de Belo Horizonte. A rede Multiplan, que gerencia BH Shopping, Diamond Mall e Pátio Savassi, não respondeu à reportagem quantas de suas lojas estão vagas atualmente e informou que as unidades cumprem “rigorosamente os seus contratos e seguem comprometidos com a recuperação das atividades dos seus lojistas”.

A administração do shopping Del Rey também não revelou quantas lojas foram fechadas durante a pandemia — por fazer parte de um grupo com capital aberto, não divulga essas informações. Ela destaca, porém, que, a maioria já estava com encerramento previsto e que, desde junho de 2020, 15 novas operações foram iniciadas no espaço, número que seria maior que o de fechamentos. Ela pontuou, ainda, que tem um plano de negociação personalizada com cada lojista e um projeto de capacitação dos empreendedores.

Lojistas migram dos shoppings para as ruas

Com experiência de quase três décadas em shopping centers de BH, Márcio Pasch, dono da rede de lojas de cama e banho Sonho Perfeito, decidiu retirar as unidades dos centros comerciais e estabelecê-las na rua em bairros próximos. “Em março, quando as lojas fecharam, o shopping queria cobrar aluguel integral. Eles nunca negociam com associações, com os lojistas juntos, mas com cada um, então nosso poder diminui. O lojista inocente, que vai abrir hoje uma loja em shopping, acha que vai ficar rico ali, mas é o contrário. Eu pagava em torno de R$30 mil por uma loja de 98m² em shopping e agora pago um sexto disso por uma de 200m²”, diz.

Com a queda de vendas no varejo devido à pandemia, sair dos shoppings também serviu para ele se adequar à menor demanda. Na rua, já não precisa manter as portas abertas após o início da noite ou aos domingos, o que era habitual nos centros de compras antes da pandemia. A nova realidade tem pontos negativos, ressalta: “No shopping, precisamos ter dois quadros de funcionários, para a manhã e para a noite. Agora, dispensamos 28 funcionários”.

Assim que o fechamento do comércio foi anunciado em BH, em meados de março de 2020, a empresária Cila Borges também decidiu interromper as atividades em um shopping da cidade e se concentrar apenas na loja de roupas de banho Cila Underwear que mantém na região da Savassi há quatro décadas. “Além de aluguel e condomínio altos no shopping, se você precisar de uma escada para trocar a lâmpada, precisa pagar o aluguel dela. A loja não dava prejuízo, mas dava muita dor de cabeça. Para mim, ter loja em shopping era um marketing, mas já tenho clientes há muitos anos”, conclui.

(fonte: https://www.otempo.com.br/economia/lojas-vagas-em-malls-da-grande-bh-encheriam-shopping-center-inteiro-1.2443044 )

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