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Lojas satélites batalham por menores custos em shoppings

A fraca recuperação das vendas do varejo e os custos crescentes de ocupação das lojas trouxeram à tona uma antiga divisão entre pequenos e grandes varejistas de shopping centers, na negociação com os donos dos empreendimentos.

O racha foi formalizado 20 dias atrás, com a criação da Associação Brasileira de Lojas Satélites (Ablos). A entidade reúne lojas menores, com cerca de 180 metros quadrados de área de vendas.

Elas são conhecidas como lojas satélites, em contraposição aos grandes magazines, ou âncoras. Por terem potencial para atrair grande quantidade de pessoas aos shoppings, as âncoras sempre desembolsaram proporcionalmente menos pela locação dos espaços, em relação às lojas menores.

“Até então existia uma associação que se chama Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) que diz representar os lojistas. Mas, na verdade, mais representa os shoppings”, afirma Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos e da rede TNG, de vestuário.

A nova associação nasce reunindo 70 marcas, como Jogê Meias (moda íntima), Side Walk (calçados), Gregory. MOB, Khelf (moda), Óticas Carol e Vivara (joias). A expectativa é que a adesão dos lojista à nova entidade cresça e atinja cerca de 300 marcas, o equivalente a 20 mil pontos de venda espalhados pelo País.

Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, nega a falta de representatividade. Ele diz ter interlocução com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e que esteve três vezes como presidente da República, Jair Bolsonaro.

Sua principal credencial, segundo ele, são os 40 mil pontos de vendas filiados à entidade, que existe há 24 anos. Quanto às negociações com os empreendedores de shoppings, Sahyoun diz que a postura é de parceria. Na crise, ele afirma que os shoppings foram flexíveis, prorrogaram prazos e deram descontos na locação.

A nova associação pensa diferente. Uma das demandas da Ablos é buscar uma relação mais equilibrada nas negociações entre as satélites e os donos de shoppings, normalmente grandes companhias.

Pelo fato de serem empresas menores, elas não têm o mesmo poder de fogo das âncoras. Hoje, diz Bessa, enquanto as âncoras pagam de 3% e 5% sobre o faturamento aos shoppings, as satélites desembolsam o equivalente entre 10% e 12%, podendo chegar a 20%.

Ele afirma que o custo de ocupação das lojas satélites envolve aluguel, condomínio e fundo de promoção. Mas, no caso das âncoras, elas pagam apenas o aluguel.

Para o consultor especializado em shoppings, Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&Malls, se o custo de ocupação de uma loja for maior do que 10% do que a sua receita de vendas, a operação tende a não ser lucrativa.

“Se passar de 15% é proibitiva. Nenhum lojista satélite deveria pagar mais do que 15% do que vende com custo total de ocupação.”

Bessa compara a relação desigual entre as lojas âncoras e satélites nos shoppings a um prédio de apartamentos no qual quem mora na cobertura (loja âncora) não paga condomínio e o restante do prédio (satélites) arca com essa despesa. “Essa fórmula penaliza o pequeno varejista para subsidiar o grande”, diz. “É concorrência desleal.”

Procurada a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que reúne os empreendedores de shoppings, informou, por meio de nota, que “as condições de locações são definidas por cada empreendimento e não pelo setor, como previsto no artigo 54 da Lei de Locações (Lei nº 8.245, de 1991)”.

“Uma vez eu disse para um diretor de shopping: monte um shopping só com âncoras, pois não são elas que trazem fluxo? Na prática, os shoppings precisam das lojas satélites para pagar a conta.”

A insatisfação com os custos dos shopping centers já faz lojas satélites começarem a ampliar a aposta em unidades de rua. Nos próximos seis meses, a TNG planeja fechar entre 20 e 30 lojas em shoppings.

Isso representa 400 empregos diretos a menos. Hoje a rede tem 185 lojas, sendo apenas 20 na rua. “Vou trocar o shopping pela rua, que tem um custo bem menor, mas sem o mesmo fluxo de pessoas”, diz Tito Bessa Júnior, presidente da rede e da Associação Brasileira de Lojas Satélites (Ablos) e da rede de roupas TNG.

A Jogê Meias também pretende enxugar a operação de shopping por causa dos custos. João Coelho da Fonseca Filho, dono da companhia, diz que, das 38 lojas próprias, 36 estão em shoppings e duas na rua.

A intenção do empresário é passar as lojas de shopping para os franqueados. Das 14 novas franquias previstas para este ano, 8 serão pontos de rua. “Se fosse em outra época, seriam todas em shoppings”, diz Fonseca Filho.

Para o consultor especializado em shoppings Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&Malls, diante das mudanças do varejo e do próprio consumidor, que busca mais experiências de compra, o conceito do shopping está mudando. No futuro, será muito mais um local de prestação de serviços e exposição de produtos.

Com isso, marcas interessadas em vender grandes volumes de produtos com custo de ocupação mais acessível provavelmente vão abrir lojas em outros locais.

Além das de rua, o consultor acredita que as galerias (strip malls) devem ser o novo endereço das satélites que deixarem os shoppings. O custo de ocupação nas galerias chega a ser entre 50% a 70% menos do que nos shoppings.

Pode ser um baque para os centros comerciais. Levantamento nacional da Ablos constatou que, na média, a área ocupada nos shoppings pelas lojas satélites e âncoras é meio a meio.

“Uma vez eu disse para um diretor de shopping: monte um shopping só com âncoras, pois não são elas que trazem fluxo? Na prática, os shoppings precisam das lojas satélites para pagar a conta”, afirma Bessa Júnior.

(fonte: Dcomércio – https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/lojas-satelites-batalham-por-menores-custos-em-shoppings )

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