Integração é nova tendência do e-commerce

O e-commerce tornou-se um dos canais de compras dos brasileiros. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), só Minas Gerais foi responsável por movimentar aproximadamente R$ 4,8 bilhões em vendas pela internet no ano passado, o que representa 10,8% do total de compras on-line em âmbito nacional.

Nesse cenário, Belo Horizonte desponta como a terceira cidade mais representativa da região Sudeste, com 4,60% dos pedidos, atrás apenas de São Paulo (1º) e Rio de Janeiro (2º).

Mesmo com o desempenho expressivo, os negócios virtuais podem ser potencializados a partir da adoção de estratégias como a integração das plataformas. Thiago Lima, CEO da LinkApi, startup especializada em integração de sistemas digital, diz que a rotina operacional de um e-commerce demanda, muitas vezes, um alto investimento de tempo e de recursos humanos para administrar todas as etapas do negócio de forma manual, o que aumenta consideravelmente as despesas da empresa.

Uma estratégia para resolver esse desafio é apostar nas integrações – soluções rápidas e acessíveis que vêm ganhando cada vez mais espaço entre os e-commerces, automatizando processos, economizando tempo e, consequentemente, aumentando os lucros. Para ele, uma loja que consegue ter eficiência operacional proporciona uma melhor experiência para o cliente final, isso porque o lojista conseguirá focar a energia no negócio e não em como os sistemas se comunicam. “Sempre digo que não existe nada que faça vender mais do que um cliente satisfeito com sua experiência de compra”, afirma.

Segundo o CEO, essa integração ainda não acontece de forma satisfatória em razão de três fatores: porque existe um legado muito grande de tecnologia entre os grandes sistemas no Brasil e isso dificulta muito o processo; pelo fato de o ecossistema de ferramentas ser muito dinâmico e mudar o jeito de se comunicar o tempo todo; e por existirem poucos players no mercado que resolvam o problema de integrações de todo o ecossistema disponível. Em relação aos sistemas, Lima esclarece que normalmente são utilizados vários em uma operação de e-commerce como plataforma de e-commerce, ERPs, sistemas de logística, antifraude etc.

Tendência – Na visão dele, também é preciso ficar atento às novidades. “É um movimento natural de mercado, virou necessidade para o lojista estar presente em todos os canais. Além disso, o e-commerce ainda não representa nem 10% do total do varejo, o que mostra que ainda temos muitas oportunidades de crescimento”, avalia, dizendo que, para aumentar a lucratividade de um e-commerce, é possível lançar mão de algumas habilidades, entre elas a mudar a vitrine da loja virtual constantemente. “Destacar produtos com maior saída ou utilizar ferramentas de IA para personalizar as vitrines com as melhores ofertas para aquele usuário”, ensina.

Lima também faz referência ao big data. Para ele, a integração do e-commerce com a plataforma de CRM e automação de marketing facilita na personalização das ofertas enviadas por e-mail marketing, de acordo com as últimas compras e preferência do cliente. “Isso aumenta a chance de recompra em sua loja”, afirma. O omnichannel também é destacado. Na visão do CEO, além de estar em todos os canais on-line, é importante ter a loja física integrada com a loja virtual e aplicativo mobile, ainda mais se compartilham estoque. “Dessa forma, o cliente pode escolher se compra on-line e retira na loja física ou vice-versa”, ensina.

Por último, ele cita os marketplaces. “Há muitas lojas virtuais que estão entrando em marketplaces para ampliar os canais de venda. Atrelar a marca a grandes nomes do segmento gera mais visibilidade para o consumidor”, afirma. Ele completa dizendo que o que falta e traz prejuízo é o problema da gestão do negócio, má administração de custos e aplicação de marketing de forma errada, gastando muito e gerando pouco retorno.

E-mail marketing – Outra ferramenta importante do e-commerce é o e-mail marketing. Felipe Rodrigues, sócio-diretor do Enviou, empresa especializada em ferramentas para ajudar lojas on-line a vender mais conjugando soluções para relacionamento com o cliente e recuperação de vendas, diz que para estreitar laços, a empresa pode criar uma estratégia de régua de relacionamento com o cliente. “O ideal é que haja relacionamento em todas as fases de interação com a sua loja, desde prospecção, como lead, até pós-vendas, com a conclusão da compra. A estratégia de e-mail marketing deve ir além de vender”, afirma.

Nesse sentido, acrescenta, é interessante criar conteúdo e nutrir o cliente para gerar fidelização. “Quando falamos de ser menos robotizados, estamos dizendo da tendência da comunicação, onde o cliente procura e preza, cada vez mais, por exclusividade no atendimento. Não é fácil trabalhar e tornar essa estratégia eficaz. As empresas que começam com envios segmentados estão no caminho certo para deixar essa comunicação menos robotizada e mais assertiva”, afirma.

Para ele, diversos fatores levam um consumidor a desistir de compra. Entre as principais, a dificuldade que o consumidor encontra com todo processo até a finalização do pedido. “Essa etapa deve ser fácil e rápida. É indicado que tudo possa ser feito com poucos cliques. Um processo com várias telas acaba fazendo com que o consumidor abandone o pedido”, diz. Outro fator que ele aponta é o valor dos produtos. “É preciso estar de acordo com a concorrência. O preço oferecido deve ser atrativo para o consumidor”, completa, lembrando que o valor do frete e prazo de entrega também são fatores decisivos para a desistência da compra.

Para evitar que isso aconteça, ele afirma que é preciso criar estratégias que favoreçam o consumidor. “Quando ele encontra dificuldade em finalizar a compra pelas etapas do cadastro, seria o caso de deixar ativo o cadastro por rede social, facilitando assim o acesso ou pedir somente informações que são realmente necessárias para sua base de dados, deixando essa etapa menos extensa.

Além disso, temos que pensar que, com o avanço da tecnologia, o consumidor tem melhor acesso às informações, consequentemente ele vai pesquisar melhor antes de finalizar o pedido. Então, ofereça um preço justo. Fique por dentro das ações dos seus concorrentes e pratique valores atrativos. Trabalhe com cupom de descontos para induzir a finalização da compra”, ensina.

Na opinião dele, montar uma loja virtual é muito fácil atualmente, até porque existem diversas plataformas que facilitam esse processo. Mas manter e fazer do e-commerce um negócio de sucesso é um desafio para o lojista. “É preciso ter um bom planejamento e os objetivos de negócio bem definidos. Também é importante criar estratégias para estabelecer um bom relacionamento com leads e clientes”, diz.

Outro ponto que para ele é extremamente importante é a agilidade no atendimento. “Isso é fundamental para se destacar entre os milhares de concorrentes presentes no seu mercado de atuação. Investir em uma comunicação eficaz é uma estratégia muito importante. Não é fácil, na verdade é bem trabalhoso, mas tendo tudo bem definido, com o foco e as estratégias certas é possível alcançar o objetivo com sucesso”, garante.

O Enviou foi criado por Felipe Rodrigues em novembro de 2016. Atualmente, já são mais de R$ 80 milhões em recuperação de carrinhos abandonados e mais de 30 mil lojistas on-line cadastrados na ferramenta. Além do recuperador de carrinhos, o Enviou oferece outros serviços como o envio de email-marketing e de aniversariantes do dia. “Nossa novidade mais recente é o ‘Recuperador de Boletos’”, completa.

(fonte: Diário do Comércio)

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