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Está surgindo um novo modelo para os shopping centers

Nos shoppings da Savoy, o foco é sempre atrair o público da macrorregião do entorno não só com o mix diferenciado, mas com ações locais que engajem toda a comunidade. Entre elas, mutirões da catarata, corridas urbanas, casamentos comunitários e até o retorno do Playcenter.

Já nos empreendimentos da CCP Cyrela, pioneira em lançar um aplicativo que funciona como uma espécie de concierge digital, o objetivo é ampliar cada vez mais a conexão com os clientes e com os lojistas.

Não é novidade que shoppings deixaram de ser apenas centros de compra e passaram a oferecer espaços de convivência e conveniência. Mas, como conciliar as expectativas dos consumidores sem perder a finalidade do negócio -as vendas?

“Sabendo como transitar de meros espaços de varejo para locais de engajamento com o consumidor. Este é o ‘novo básico’ dos shoppings”, afirma Sylvio Carvalho Netto, diretor do SP Market e do Fiesta, do Grupo São Joaquim.

Foi ele quem atuou como mediador no painel “Shoppings – em busca do modelo ideal”, apresentado no recente congresso Brasilshop 2018, da Alshop (Associação dos Lojistas de Shoppings).

Serviços médicos, públicos ou personalizados, lazer e entretenimento, uma área forte de gastronomia, integração com transporte público, espaços empresariais e um mix de lojas atrativo para o público que complemente essas operações fazem parte desse modelo.

Mas não basta só concentrar esforços no tenant mix ideal (conjunto de atributos que define o traço marcante de um shopping): é preciso criar engajamento com a comunidade, oferecer hospitalidade em padrão hotelaria, arquitetura e design diferenciados e até adotar a mudança de nome –de shoppings ou malls para “towns” ou “villages, conforme apontado no Recon 2018, o maior evento da indústria, realizado em maio passado nos Estados Unidos.

Cerca de 90 shoppings americanos investiram mais de US$ 8 bilhões em revitalizações nos últimos três anos para se adaptar a esses novos conceitos, segundo a consultoria GS&Malls.

“O formato multiuso é uma tendência irreversível: o consumidor precisa socializar, e os shoppings têm esse papel, já que eles podem resolver a vida dele lá dentro”, afirma Henrique de Jesus Carvalho, diretor da CCP (Cyrela Comercial Properties).

Carvalho Netto, do São Joaquim, citou outro dado que mostra que, em um mercado onde 47% dos consumidores são pós-millenials – ou seja, nativos digitais e ultraconectados -, a integração entre o on e o offline é um caminho sem volta. Ou seja, a separação entre as duas modalidades perdeu o sentido.

Mas, nem tudo se limita à digitalização. Ligado ao mercado imobiliário, o Grupo Savoy, que administra shoppings do porte do Aricanduva e Interlagos, tem procurado sair um pouco desse foco para atrair outros consumidores. Especificamente, os que não frequentam seus empreendimentos.

Buscar outras operações foi a forma encontrada pelo grupo para chegar ao modelo ideal, segundo Márcio Bevilacqua, superintendente comercial do Savoy. Daí a estratégia de oferecer também serviços essenciais, como o Poupatempo e Detran, ou experiências de lazer e emoção, como o novo Playcenter

Pesquisas do grupo apontam que, se a ida do consumidor até o shopping dura uma hora, em média, para resolver o que precisa, ele acaba ficando 35 minutos a mais para comer ou comprar alguma coisa que não estava programada.

“Por isso passamos a atender a essas e outras expectativas: para que, quem nunca foi, passe a frequentar os nossos shoppings”, completa.

O LOJISTA ESTÁ INCLUSO 

Dentro desse novo modelo, o lojista deixa de ser apenas o locatário de um espaço nos centros de compras para se tornar cada vez mais aquele parceiro com postura de dono, de acordo com Henrique Carvalho, da CCP.

É nesse ponto que o mercado americano revela-se exemplar, segundo a GS&Malls: pela primeira vez na história, quem está no comando do International Council of Shoppings Centers é a varejista Valerie Richardson, vice-presidente da varejista The Container Store.

Nos oito shoppings da CCP Cyrela – que têm, entre eles o Cidade de São Paulo, o D e o Tietê Plaza – o ON Store, lançado no fim de 2017, é um marketplace criado para aumentar as vendas dos lojistas. E indiretamente, a do shopping, já que a retirada física dos produtos gera aumento de fluxo.

Com isso, a expectativa da CCP é que a receita dos lojistas que operam no grupo aumentem 5% em 2018. “O shopping vira uma espécie de consultor para ajudar o lojista a fazer sucesso”, diz Henrique Carvalho, ao apontar o que acredita ser uma das macrotendências do setor nos próximos anos.

Citando o mercado americano, onde 25% dos shoppings encolheram ou fecharam principalmente por perder espaço para o digital, Sylvio Carvalho Netto, do Grupo São Joaquim, questionou se os centros de compras brasileiros também seguiriam pelo mesmo caminho.

Ou se criariam áreas especiais de alimentação, como aconteceram em muitos empreendimentos de lá, para contornar a perda de ocupação de áreas antes ocupadas por âncoras. Para Márcio Bevilacqua, da Savoy, como o foco é oferecer experiências, caberiam bulevares gastronômicos para ocupar espaços vagos.

“A essência é encontrar maneiras para que as pessoas permaneçam no shopping”, afirma.

Carvalho, da CCP, acredita que, como o shopping é um organismo vivo – e o showrooming (pesquisar e experimentar produtos na loja física e comprar mais barato pela internet) é cada vez mais presente, é mais provável que os grandes formatos fiquem de lado, e os empreendimentos diminuam de tamanho para atender a essa nova realidade.

“A transformação é esperada. Mas temos que estar preparados para isso”, conclui.

(fonte: Dcomércio.com.br)

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