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Encruzilhada tecnológica

Parece que o tempo está passando cada vez mais rápido. E se pensarmos na evolução tecnológica, essa impressão faz todo o sentido, já que, hoje, o período necessário para o lançamento de qualquer novidade não passa de uma fração do que era até décadas atrás. A inteligência artificial é um exemplo disso. Se antes esse recurso só era possível na TV, hoje já faz parte do dia a dia. Está nos assistentes pessoais ativados por voz nos smartphones, nas recomendações de compra presentes em quase todos os e-commerces e nos chatbots que conversam com os usuários nos chats online como se fossem pessoas.

Essa evolução exponencial, que traz tantas facilidades e benefícios para a sociedade, também é um alerta para empresários que acreditam que inovação é algo só para as grandes corporações. A boa notícia é que os empreendedores do varejo estão com vantagens em relação ao risco de o seu trabalho ser substituído por máquinas no futuro. Segundo um levantamento realizado pela consultoria myForesight, com dados da Deloitte, Planet Money e universidade de Oxford, a atividade de gerenciar pessoas e iniciativas, criar estratégias e desenvolver ações colocando o consumidor em primeiro lugar está entre as que possuem risco mais baixo de ser desempenhada por máquinas, entre 0% e 20%, assim como as profissões  de engenheiros, arquitetos, juízes e cientistas.

Confira algumas habilidades tipicamente humanas e desenvolva ao máximo cada uma delas:

Conhecer o cliente:

Mesmo com toda a capacidade de armazenamento de dados, as máquinas não conseguem estabelecer relacionamento de confiança com os consumidores. Estar atento à data do aniversário, ao nascimento dos netos, ao estilo de vestimenta e de vida de cada pessoa que chega à loja para prestar um atendimento personalizado é uma grande vantagem para construir uma relação de confiança.

Perceber como o público reage aos estímulos e mudar rapidamente a estratégia:

Uma estratégia que leva em conta o perfil do público-alvo tem muito mais chance de ser eficaz, assim como a comunicação. Mesmo sem o uso de complexos padrões analíticos e estatísticas, o lojista pode perceber como cada iniciativa realizada na loja estimula uma reação no seu visitante e balancear as estratégias, ou reformulá-las totalmente a partir dos resultados.

Ameaça à comodidade

Há uma verdade por trás de todo esse alerta de que muito do que fazemos hoje poderá ser substituído por máquinas em um futuro próximo. Especialistas, como Roberto Martini, CEO da Flag – um negócio de disrupção criativa que cria soluções inovadoras para qualquer tipo de problema –, defendem que é preciso encontrar o diferencial humano e elevá-lo à máxima potência para não perder de vez essa disputa com a tecnologia. “O que as máquinas fazem melhor do que as pessoas certamente são elas que vão passar a fazer”, destaca Martini, que será o entrevistado na seção Bate-papo na edição de agosto da Conexão Varejo. Entender algumas diretrizes é essencial para não ver a tecnologia somente como uma ameaça, segundo Martini. Primeiro, que a velocidade das mudanças nunca será menor do que é hoje. E segundo, que a tecnologia não pode ser vista como um fim, mas como um meio para conquistar melhores resultados. Ou seja, mesmo que as previsões digam que o trabalho de lojista tem baixo risco de ser desempenhado por máquinas, somente quem abrir mão da comodidade de fazer tudo sempre igual vivenciará essa continuidade da profissão.

Destaque ao lado humano

Outras pesquisas realizadas ao redor do mundo relacionaram a evolução das máquinas e o futuro das profissões. Estudo da consultoria PwC, por exemplo, revelou que, até 2030, em torno de um terço dos postos de trabalho em países desenvolvidos, como Japão, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, podem ser ocupados por robôs. Outro relatório, divulgado pela oundation for Young Australians (FYA), destacou que 60% dos seus jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir nos próximos 10 ou 15 anos. Do lado de cá do balcão, cabe aos lojistas potencializarem o nível da profissão para que ela siga relevante. Na era do consumidor omnichannel, é nítido que nem a loja física nem a virtual vão acabar, mas é preciso, cada vez mais, ter a precisão de uma máquina para se manter conectado ao cliente e ainda fortalecer os diferenciais humanos.

Atender nichos específicos:

Criadas para atender a necessidades específicas dos clientes, as lojas voltadas a nichos normalmente lidam com consumidores desassistidos de alguma forma, já que o nicho é aquele segmento que vende produtos mais difíceis de encontrar. Por isso, esses atendentes precisam ter bem desenvolvida a habilidade de lidar com frustrações e com resistências geradas por experiências ruins anteriores. E nada como uma pessoa para entender as dores de outra.

Surpreender:

Como as máquinas pensam a partir dos dados, a maioria das decisões são previsíveis. Já as pessoas, além de considerarem as variáveis, conseguem fugir de padrões justamente por não terem a capacidade analítica dos robôs, aplicando ainda a capacidade de flexibilizar. Quebrar as regras nem sempre é ruim, pois a inovação vem de uma habilidade de pensar diferente para chegar a soluções inusitadas.

Ter empatia:

Definitivamente essa é uma habilidade humana, a de se colocar no lugar do outro e considerar as variáveis que interferem nas suas decisões e podem fazer a relação caminhar para uma direção imprevisível. Além disso, a capacidade de sentir empatia vem da nossa necessidade humana de relacionamento, pois histórica e biologicamente somos seres sociais que vivem em bandos para buscar conforto e proteção.

Gostou desse conteúdo? Faz parte da revista Conexão Varejo, publicação mensal do Sindilojas Porto Alegre. Na versão digital você pode conferir gratuitamente a edição completa. Clique aqui e aproveite. Boa leitura!

(Fonte: Revista Conexão Varejo)

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