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Dólar cai mais de 0,83% e segue rumo aos R$ 3

O dólar voltou a fechar no menor valor do ano, ontem, com queda de 0,83%, cotado em R$ 3,141. Neste mês, a moeda norte-americana já caiu 3,1%, e, no ano, a perda acumulada é de 20,4%. Os especialistas acreditam que, caso seja confirmado o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, a divisa dos Estados Unidos poderá recuar aos R$ 3 e, depois, a patamares de antes das eleições de outubro de 2014, entre R$ 2,60 e R$ 2,80.

A desvalorização do dólar turismo, que ontem bateu R$ 3,24 nas corretoras e R$ 3,30 nas casas de câmbio de shoppings ou aeroportos, onde são cobradas taxas cheias, aumentou a demanda pela moeda estrangeira. “Quem está com viagem planejada até janeiro do ano que vem está comprando”, contou a gestora de câmbio turismo da Fair Corretora, Glaucy Lima.

Conforme a especialista, o quadro doméstico está motivando o comportamento da moeda. “O dólar já vem se desvalorizando há semanas por conta do ambiente político do país. Pontualmente, o pedido de adiantamento do processo de impeachment teve peso significativo”, destacou.
No cenário político, dois movimentos contribuíram para o aumento da confiança do mercado, que se reflete na queda dólar. Na Câmara dos Deputados, a análise da renegociação da dívida dos estados, e, no Senado, o início da sessão que vota o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) pela pronúncia da presidente afastada. Também colaborou a confirmação, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que a votação final do impeachment provavelmente ocorrerá em 25 de agosto.

DERRETIMENTO

O mercado projeta aumento considerável no fluxo de dólares no país depois do afastamento definitivo de Dilma. Glaucy acredita que, nesse cenário, a divisa pode cair abaixo de R$ 2,80. “Nos bastidores, há quem fale que pode recuar aos patamares de outubro de 2014, ou seja, menos de R$ 2,60”, comentou. Se isso ocorrer, ela avaliou que o Banco Central terá que intervir com mais força no mercado para segurar a cotação da moeda. “As importações já estão voltando com força na balança comercial”, ressaltou.
Apesar do derretimento do dólar, o Banco Central (BC) continua sem fazer intervenções robustas no mercado, limitando-se aos leilões de swap reverso, operação equivalente à compra futura de dólares. Na opinião do economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, a postura do BC está correta. “Ele tem estoque de swaps (quando o dólar estava muito baixo, a autoridade monetária negociou contratos de venda de dólares futuros). Agora está se desfazendo. É uma boa estratégia”, explicou. Ontem, o BC vendeu a oferta total de 10 mil contratos, no valor de US$ 500 milhões.

(EM)

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