Dívidas do cartão são mais reestruturadas pela baixa renda

Os clientes de bancos de baixa renda são os que mais recorrem à reestruturação de dívidas e a principal modalidade renegociada por essa parcela da população é o cartão de crédito, segundo estudo do Banco Central (BC).

A reestruturação de dívida ocorre nas situações em que o tomador de crédito “enfrenta dificuldades financeiras evidentes e, em geral, já tem parcelas em atraso”.

É diferente da renegociação de dívida que costuma ocorrer por meio de alongamento de prazos, redução de taxas, alteração nas condições de pagamento, obtenção de recursos adicionais, migração para outras modalidades de crédito, entre outras possibilidades, explicou o BC.

De acordo com o BC, os tomadores de crédito com renda inferior a três salários mínimos correspondiam a 70% dos clientes que reestruturaram dívida, em dezembro de 2018.

“Sobressaem nessa faixa os clientes com renda de até dois salários mínimos, representando 53% do total. O saldo reestruturado na faixa até três salários mínimos totalizou R$ 1,2 bilhão, o equivalente a 43% da carteira ativa reestruturada e a 0,21% de toda a carteira ativa para essa faixa de valor”, diz o BC.

Por sua vez, os tomadores de alta renda (acima de dez salários mínimos) haviam reestruturado cerca de R$ 660 milhões de suas dívidas ou 23% do total da carteira reestruturada. O número desses tomadores também é bem menor, atingindo 5% dos clientes com dívidas reestruturadas.

CARTÃO DE CRÉDITO

Segundo o BC, 27% dos clientes com dívidas reestruturadas era da modalidade cartão de crédito. Entretanto, as reestruturações nessa modalidade representaram apenas 6% do saldo total da carteira reestruturada.

O destaque do BC em relação a essa modalidade é para o número de clientes de baixa renda com dívidas renegociadas. Cerca de 70% das reestruturações de cartão são de clientes de baixa renda (inferior a três salários mínimos).

DÍVIDAS

Dos cerca de 278 mil tomadores que reestruturaram dívidas em dezembro de 2018, 178 mil tinham débitos em montantes inferiores a R$ 3 mil. O saldo total reestruturado nessa faixa de valor foi de R$ 220 milhões, ou seja, aproximadamente 65% dos tomadores reestruturaram dívidas que correspondiam a apenas 8% do saldo reestruturado total (R$ 2,9 bilhões).

Por outro lado, 63% do saldo da carteira reestruturada em dezembro de 2018 referia-se a dívidas acima de R$ 50 mil. O número de tomadores nessa faixa, contudo, é pequeno, correspondendo a 5% do total de devedores, diz o BC.

CRÉDITO IMOBILIÁRIO

Em dezembro de 2018, cerca de 15 mil tomadores de crédito imobiliário recorreram à reestruturação de seus débitos. “Ainda que pouco representativa em relação ao número de tomadores com operações reestruturadas (cerca de 6%), essa modalidade de crédito atinge R$ 1,3 bilhão de saldo na carteira (46% da carteira reestruturada)”, destaca o BC.

Dos clientes com crédito imobiliário reestruturado, 67% têm renda inferior a três salários mínimos.

“A maior parcela do saldo da carteira reestruturada (23% do total) é composta por tomadores dessa faixa de renda que financiaram imóveis com valores superiores a R$ 50 mil, um possível reflexo da recessão econômica de 2015 e 2016 sobre os clientes que operam nos limites de sua capacidade financeira”, diz o BC.

INADIMPLÊNCIA

De acordo com o BC, um pouco menos da metade da dívida renegociada é paga em dia. Em dezembro de 2017, após 12 meses da reestruturação, 48% do saldo (45% dos tomadores) estava pago ou com pagamento em dia.

Cerca de 23% da carteira estava com atraso inferior a 90 dias (considerados pré-inadimplente), 15% estava inadimplente ou havia sofrido nova reestruturação e 5% (18% dos tomadores) havia sido lançada como prejuízo para os bancos.

Entre as modalidades, o crédito imobiliário tinha 83% da carteira (84% dos clientes) paga, adimplente ou com atraso inferior a 90 dias. No caso do cartão de crédito, esse percentual cai para 55% da carteira reestruturada (49% dos clientes).

“As reestruturações de operações de crédito imobiliário foram mais efetivas do que as de cartão de crédito”, conclui o BC.

Segundo o BC, “esse comportamento pode estar relacionado com o fato de o crédito imobiliário ser de alto volume e envolver uma boa garantia, levando a um maior interesse tanto por parte do tomador quanto da instituição concedente em mantê-lo adimplente”.

“Porém, a permanência dos tomadores na modalidade cartão de crédito é preocupante dado seu alto custo, que tende a levar ao aumento da inadimplência. Essa análise é compatível com a participação do cartão de crédito na carteira inadimplente. Em dezembro de 2018, embora representasse 12% do saldo da carteira de crédito pessoa física, o cartão de crédito correspondia a 22% da carteira inadimplente”, diz o BC.

SALDO RENEGOCIADO

O saldo da carteira reestruturada, em dezembro de 2018, chegou a R$ 2,9 bilhões. Esse estoque representa cerca de 0,15% do saldo dos empréstimos concedidos pelos bancos no país. O número de clientes com dívidas reestruturadas em relação ao total de tomadores é de aproximadamente 0,3%. Isso corresponde a uma média de 252 mil clientes com novas reestruturações a cada mês.

(fonte: Dcomércio.com – https://dcomercio.com.br/categoria/financas/dividas-do-cartao-sao-mais-reestruturadas-pela-baixa-renda )

Conheça o ciclo das inovações emergentes

É possível que, em breve, grande parte da população de países desenvolvidos tenha um amigo quase imaginário. Quase, pois eles são existirão de forma física, mas poderão ouvir desabafos, dar conselhos, contar piadas, além de auxiliar nas tarefas do lar e na rotina de trabalho. Serão verdadeiros facilitadores da nossa vida.

Embora ainda tímidos, eles já estão entre nós. São os assistentes virtuais, como a Siri, da Apple; o Google Assistente, do Google; a Alexa, da Amazon; e o Cortana, da Microsoft.

Atualmente, um dos mais completos é a Alexa. A assistente realiza cerca de 30 mil tarefas, entre elas leitura de notícias, seleção musical, contas matemáticas e pesquisas na internet.

Mês passado, a Amazon anunciou novas funções da Alexa.

“O Alexa Skill Blueprints é uma maneira totalmente nova para você criar funcionalidades personalizadas da Alexa apenas para você e sua família”, disse Steve Rabuchin, vice-presidente da Amazon Alexa em comunicado. “Você não precisa desenvolver habilidades específica ou codificação para começar.”

De acordo com o estudo Hype Cycle 2018, realizado pela consultoria de TI Gartner, a tecnologia dos assistentes virtuais estará estabilizada daqui dois a cinco anos.

Realizado anualmente pela Gartner, o Hype Cycle não é só um estudo, mas também é uma metodologia que aponta tecnologias emergentes e sua assimilação pelo mercado.

O Hype Cycle é uma representação gráfica dos estágios do ciclo de vida de uma tecnologia, desde a sua criação, transformações, adoção generalizada e maturidade – quando deixa de ser uma novidade.

O gráfico, formado por uma linha curva, é acompanhado de diferentes tecnologias, cada uma dentro de cinco estágios de desenvolvimento (veja melhor no infográfico abaixo, os nomes das tecnologias estão em inglês). São eles:

1. Gatilho da inovação. O momento que uma tecnologia nascente chega ao conhecimento do público, despertando curiosidade.

2. Pico de expectativas infladas: Período do auge do burburinho da tecnologia, onde ainda estão sendo debatidas suas aplicações, o que gera enormes expectativas, mesmo que incertas.

3. Vale da desilusão: Quando acontece a queda na curva, pois o mercado começa a perceber que a real aplicabilidade da tecnologia é menor do que a esperada (ela não é totalmente revolucionária quanto se apregoou).

4. Ponto de esclarecimento: o momento em que a viabilidade da tecnologia está mais clara. É um momento de aprendizagem e exploração de sua verdadeira usabilidade. Soluções que atendam a real necessidade do mercado passam a ser desnolvidas.

5. Platô de produtividade: A fase em que a tecnologia está estabilizada. Protótipos viram produtos, que estão à disposição do mercado, com foco no aumento da produtividade e atendimento de demandas especificas do usuário.

O QUE VEM POR AÍ

O último estudo Hype Cycle da Gartner traz 35 tecnologias emergentes. Há inovações já conhecidas, como Realidade Aumentada e Blockchain.

Outras ainda são mais conhecidas porque popularizadas em filmes de ficção cientfica. É o caso do Exoesqueleto, um sistema dotado de motores elétricos e estrutura de metal que reveste o corpo humano, fornecendo aos membros mais força e resistência.

Como é de se imaginar, algumas tecnologias que aparecem no estudo na segunda metade da curva ainda estão longe de serem uma realidade no Brasil.

Isso ocorre porque as inovações nascem em países desenvolvidos e, só após anos, começam a se popularizar no mercado brasileiro.

É o caso das Smart Factories (ou fábricas inteligentes, conhecidas como Indústria 4.0), que no estudo aparece no Vale da Desilusão. A tecnologia reúne outras inovações, como Internet das Coisas (IoT), Impressão 3D e computação na nuvem.

De acordo com Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, estima-se que 15% das empresas de países como Coreia do Sul, Estados Unidos, Israel e Alemanha utilizam manufatura avançada.

No entanto, no Brasil, a taxa de empresas que adota tecnologias da Indústria 4.0 é de apenas 2%.

Recentemente, o SENAI desenvolveu um programa de melhoria de processos produtivos, com foco em pequenas indústrias.

Chamado de Indústria Mais Avançada, a ideia é levar novos métodos de controle de produção e eficiência operacional, voltado a sustentantabilidade.

Nas empresas que particpam do programa, a contagem de produção e paradas de máquinas são registradas automaticamente, com hardware IoT, que requer apenas uma rede Wi-Fi na fábrica. Já os registros manuais são feitos com um smartphone.

A consulta dos indicadores ficam disponíveis em softwares na nuvem, que também podem ser acessados por dispositivos móveis.

Os dados registrados são processados por mecanismos de Big Data. Assim, as informações são usadas para melhorar a tomada de decisão de novos processos fabris e de gestão de produção.

(fonte: Dcomércio – https://dcomercio.com.br/categoria/tecnologia/conheca-o-ciclo-das-inovacoes-emergentes )

Duas décadas depois, a Kipling se reinventa no Brasil

O zíper, a costura, o tecido, os formatos, as cores, as estampas e o chaveiro. Todos esses elementos fazem das bolsas, malas, carteiras, estojos e outros acessórios da Kipling algo inconfundível.

Quem faz parte da geração Z ou millennial -nascida entre 1981 e 1996-, sabe que em algum momento da vida já cobiçou uma bolsa da Kipling ou até colecionou itens da marca, que vende bolsas entre R$ 500 e R$ 1,2 mil.

Fundada há 30 anos e há 22 no Brasil, a marca de origem belga sofreu uma queda de popularidade entre os consumidores no país.

Cultuada especialmente, entre os adolescentes, a Kipling apostou em novos formatos e materiais, como couro e jeans, para atender a clientela que passou da adolescência e juventude para a vida adulta.

Embora ainda mantenha esses itens com uma pegada “mais madura”, a empresa descobriu que não era preciso repensar a marca com foco em faixa etária, gênero ou classe social, e sim em termos de estilo de vida.

Em entrevista ao Diário do Comércio, Cláudia Abreu, diretora da Kipling Brasil, conta como a marca se readaptou às novas tendências e mudanças de comportamento de seu público-alvo se reinventando, mas mantendo sua essência com 37 lojas próprias e presença em 600 multimarcas.

A Kipling marcou uma geração com suas bolsas coloridas e estampadas, mas em algum momento isso mudou. O que aconteceu? 

A Kipling foi fundada para oferecer um produto funcional, leve e divertido. Com o passar do tempo, a evolução do design acabou modificando um pouco o produto.

No Brasil, é um pouco diferente porque a marca já chegou e se posicionou fortemente para o mercado de volta às aulas. Mas em termos de design de produto, ela acabou indo para essa linha mais feminina, quando na verdade, ela nasceu para ser unissex e descolada.

Num dado momento precisamos resgatar o verdadeiro DNA da marca, que carrega alguns ícones muito bem definidos – o logo redondo, o zíper, o tecido de náilon, o chaveiro de macaquinho, as estampas – essa é a nossa essência. Ou seja, somos uma marca de lifestyle, sem gênero e casual.

Essas características se refletem na postura de vida de nossos clientes. Alguém que vai do trabalho à aula de ioga, que é multitarefa e necessita de produtos multifuncionais. E nossos produtos acompanham a jornada do dia do cliente.

Você costuma dizer que cliente que reclama dá consultoria de graça. Qual foi o papel dos clientes nessa repaginada da marca? Eles costumam ser ouvidos?

Ouvimos muito e isso torna o processoaté um pouco desgastante porque não é confortável receber críticas. Mas, acredito que um cliente que reclama é aquele que realmente se importa e te dá uma chance de fazer de novo e melhor.

O processo de escuta dentro da Kipling é feito em todos os países em que a marca opera. O que analisamos aqui foi que os consumidores estavam sentindo falta da originalidade da marca.

Durante esse processo, um cliente me disse que precisávamos voltar com o logo redondo (a marca trocou a logomarca redonda por outra quadrada e de metal).

Foi então, que percebemos que nosso novo visual competia com o mercado tradicional de bolsas e inevitavelmente, íamos comoditizar nosso produto e teríamos que brigar por preço, algo distante do nosso posicionamento. Quando se tem um propósito de marca bem definido, não é preciso entrar nessa guerra. Por isso, ouvimos nossos clientes fiéis e voltamos à nossa origem.

A Kipling é icônica no mercado de bolsas. Como surgiu a coleção de calçados?

A Kipling do Brasil é a única do mundo a trabalhar essa categoria. Foi um projeto desenvolvido localmente e do qual nos orgulhamos muito.

Enxergamos nos calçados a chance de trabalhar novos consumidores. O mercado brasileiro de calçados é muito ativo e vimos nisso, uma oportunidade. Brinco que o calçado é a batata frita do fast food.

Sempre que vamos a esses restaurantes, seja para comprar um lanche, um sorvete ou uma água, o atendente diz: batata acompanha? E no nosso caso, o calçado é um item que compõe bem o kit bolsa + calçado. Além disso, falando um pouco de ponto de venda, os calçados ajudam a compor melhor o visual da loja, conseguimos montar uma história em nossas vitrines.

Vocês têm um produto instagramável. Como tem sido trabalhar isso nas mídias sociais?

A Kipling é altamente instagramável. Nossos produtos contam uma história e os clientes gostam disso. O colorido das bolsas traz um apelo diferente à fotografia e tem também a figura do macaquinho. A Kipling Brasil tem o maior volume de seguidores do mundo.

São cerca de 2,5 milhões de pessoas no Facebook e 600 mil no Instagram com um nível de engajamento muito alto. Assim como recebemos elogios por lá, há também quem reclame do preço do produto. Mas, nem dá tempo de responder porque logo abaixo surge outro cliente dizendo que trata-se de uma peça valiosa, pois ele tem uma mochila há dez anos e está tudo em ordem.

São verdadeiros brandlovers e nossa rede social virou um espaço de troca – um ativo que não tem preço. Nosso trabalho e obrigação é retribuir todo esse carinho para os clientes.

(fonte: Dcomércio – https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/duas-decadas-depois-a-kipling-se-reinventa-no-brasil )

Como sair da crise? Veja o que dizem 8 economistas

Diante das dificuldades de articulação política para a aprovação da reforma da Previdência e das constantes quedas nas projeções para o crescimento da economia brasileira neste ano, a avaliação geral de economistas é de que o governo do presidente Jair Bolsonaro desgastou seu capital político com questões menores e que o crescimento de 2019 está praticamente perdido.

“O governo perdeu um momento tão raro quanto importante: na eleição, houve uma ruptura que gerou, na imensa maioria dos agentes econômicos, um volume de otimismo muito razoável”, diz José Roberto Mendonça de Barros, cofundador da MB Associados.

“Agora, a pauta pode até avançar -achamos que vai ser aprovada uma reforma mediana da Previdência e o Congresso quer fazer uma reforma tributária -, mas se perdeu esse ‘momento mágico’ e os agentes ficaram desanimados.”

A expectativa para crescimento do PIB, que começou o ano com alta de 2,53%, recuou pela 11.ª semana consecutiva para 1,45%, de acordo com o Relatório Focus.

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, que projetava crescimento de 2,2% para 2019, admitiu trabalhar agora com um avanço de 1,5%.

“Havia a expectativa de que uma grande reforma destravaria o País e ele voltaria a crescer de dois a três pontos por ano. Agora, o mercado deixou a Disneylândia para encontrar a realidade”, diz Marcos Lisboa, presidente do Insper.

Para a maior parte dos economistas ouvidos, não há muito a se fazer no curto prazo para estimular a atividade de forma sustentável.

O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman diz que a única saída do governo para reativar a economia seria cortar juros. Mesmo assim, os efeitos seriam defasados. Instrumentos tradicionais de política monetária teriam eficácia pequena em função da perda de confiança, diz Zeina Latif, economista-chefe da XP.

Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre/FGV, não vê alternativa sem mudanças nas regras de aposentadoria dos brasileiros. “Se o governo não quiser quebrar, a reforma da Previdência é a única saída para que o Brasil não caia em uma espiral inflacionária.” José Marcio Camargo, professor da PUC/Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, reforça a opinião.

Aloisio Araujo, professor da FGV EPGE e do IMPA, aponta algumas medidas microeconômicas, como melhorias na lei de falências, no sistema tributário e na competitividade do mercado de energia. O professor da UnB, José Luis Oreiro, fala como alternativa para este ano a revisão da meta fiscal.

Zeina Latif, Economista-chefe da XP Investimentos

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, defende um choque de credibilidade e coordenação entre a política e a economia para reativar a atividade. Para reverter esse quadro, ela acredita que o primeiro passo seria mostrar com clareza qual é a agenda econômica para reconquistar a confiança de empresários e consumidores. “Para conquistar essa confiança, é preciso estabelecer uma agenda de governo.”

Existem muitos ruídos entre a política e a economia que geram insegurança, observa. “Na dúvida, as pessoas esperam, não contratam, não investem e adiam compras.” Ela lembra que há propostas de reformas do governo anterior que poderiam ser aprofundadas, como a reforma tributária. Isso ajudaria a reconstruir a confiança.

Quanto ao uso de instrumentos tradicionais de política monetária para estimular a atividade, como corte de juros ou injeção de recursos para ampliar o consumo, Zeina diz que a eficácia seria muito pequena porque, na sua opinião, há uma indefinição maior por trás, que é a perda de confiança.

Diante desse quadro, a economista espera um crescimento do PIB menor do que 1%, o que é “preocupante”. “Com qualquer ruído, o empresário fecha as portas, desiste”, diz Zeina, destacando a fragilidade do momento atual.

Samuel Pessôa, Pesquisador do Ibre/FGV

Segundo o economista Samuel Pessôa, medidas de estímulo de curto prazo à economia não fariam sentido neste momento, enquanto a reforma da Previdência não é aprovada. Para ele, as mudanças no sistema de aposentadorias são vitais para que o “País não caia no buraco”. “Se o governo não quiser quebrar, a reforma é a única saída para que o Brasil não caia em uma espiral inflacionária.”

A deterioração das expectativas para a economia, diz Pessôa, é reflexo da dificuldade do presidente Jair Bolsonaro de sair do “modo campanha” e sentar na cadeira de presidente da República, que governa visando a sociedade toda e não só um grupo de apoiadores barulhentos. “O presidente decidiu que vai inovar no jeito de fazer política num cenário em que as instituições não mudaram. Não vai dar certo.”

Do ponto de vista das expectativas para a economia, o pesquisador do Ibre/FGV afirma que a situação “parece muito ruim”. O Ibre tem hoje uma das visões mais otimistas para a economia – com previsão de crescimento de 1,5%, ante os 2,4% do início do ano – e se prepara para revisar de novo os números na semana que vem. “Estamos em um patamar ridículo: a economia perdeu 7% em 2015 e 2016 e, em três anos, não vamos recuperar nem sequer a metade disso.”

José Roberto Mendonça de Barros, Ex-secretário de Política Econômica

ara o economista e cofundador da consultoria MB Associados, o governo jogou o ano de 2019 fora. “Do ponto de vista do crescimento sustentável, jogou. O governo perdeu um momento tão raro quanto importante: na eleição, houve uma ruptura que gerou, na imensa maioria dos agentes econômicos, um volume de otimismo muito razoável”, diz. “Agora, a pauta pode até avançar – nós achamos que vai ser aprovada uma reforma mediana da Previdência e o Congresso quer fazer uma reforma tributária -, mas se perdeu nesse ‘momento mágico’ e os agentes ficaram desanimados.”

Ele também avalia que medidas como a queda dos juros básicos podem ajudar a economia, mas as pessoas e grande parte das empresas não querem e não podem gastar, o que faz com que ações desse tipo não se traduzam em um crescimento significativo do PIB deste ano, previsto pela MB em 1,1%.

“Além da reforma da Previdência, o Executivo não tem muito mais o que fazer para aquecer a economia. Reformar os tributos é importante, mas não provoca crescimento imediato. A Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica, que reduz burocracias, é excelente, mas nesse ambiente econômico de agora, não vai ter um efeito imediato.”

Marcos Lisboa, Presidente do Insper

O presidente do Insper, Marcos Lisboa, diz que a expectativa em relação ao crescimento do PIB estava alta, “era de um autoengano impressionante” e vinha acontecendo desde as eleições. “Havia a expectativa de que uma grande reforma destravaria o País e ele voltaria a crescer de dois a três pontos por ano. Agora, o mercado deixou a Disneylândia para encontrar a realidade.”

Para ele, a reforma da Previdência é essencial, mas não resolve nem de longe o problema fiscal: só faz com que o gasto cresça de forma mais lenta. “O governo não terá mais dinheiro para gastar e a economia não vai começar a crescer imediatamente.”

Para Lisboa, é preciso ajustar o orçamento de Estados e municípios e eliminar barreiras que travam o crescimento, como baixa produtividade dos trabalhadores, barreiras tributárias e do comércio exterior e o “grande caos da governança dos investimentos em infraestrutura”. Ao mesmo tempo que se leva adiante a reforma da Previdência. “O País só vai crescer de verdade quando melhorar o ambiente para que a produtividade cresça. Aí sim os investimentos sobem.” Ele diz que é preciso deixar de lado picuinhas políticas e fazer uma agenda clara, sem medidas superficiais. “Estamos alertas para ajudar a criar o diálogo e construir essa agenda.”

Alexandre Schwartsman, Ex-diretor do BC

O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, diz que a única saída para o governo reativar a economia seria cortar juros. Mesmo assim, pondera que os efeitos seriam defasados e sentidos, de forma mais contundente, só em 2020. “Na verdade, o grau de liberdade de política econômica hoje está muito limitado.”

Ele considera uma “insanidade” achar que há espaço para fazer aumento de gasto público para acelerar a economia. “Não temos espaço nem competência para isso.”

O Estado brasileiro é bom para fazer gastos correntes e permanentes, mas não é bom para desenvolver projetos de investimentos, que alavancariam a atividade, diz.

No entanto, ele ressalta que uma exceção seriam os projetos de concessões, que estão andando bem e poderiam impulsionar a atividade.

A aprovação da reforma da Previdência, na sua opinião, ajudaria a destravar a incerteza que há em relação às contas públicas e trazer de volta o investimento. Mas dificilmente a aprovação em primeiro turno vá acontecer antes de agosto ou setembro. Por esse raciocínio, ele acredita que as chances de ter impacto no PIB deste ano são muito baixas. Para 2019, o economista ainda trabalha com uma previsão de alta do PIB entre 1% e 1,5%.

José Márcio Camargo, economista

O PIB brasileiro ainda pode crescer 1,5%, caso a reforma da Previdência seja aprovada até o início do segundo semestre. Se ficar para o fim do ano, o desempenho será abaixo disso, afirma o professor do Departamento de Economia da PUC/Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo. O pior cenário, diz ele, é a não aprovação.

“Sem a reforma da Previdência, a expectativa é de volta da recessão forte, mais inflação, mais juros e redução de investimentos.”

Ele ressalta que, em 2018, mesmo com todos os choques ocorridos, como a desvalorização cambial, a alta dos preços do combustível e da energia e a greve dos caminhoneiros, o País cresceu 1,1% e a inflação manteve-se controlada. “O Brasil mudou por causa das últimas reformas do governo Temer (trabalhista, teto de gastos) e pode mudar ainda mais com a reforma da Previdência.”

Para o economista, medidas de curto prazo, como a liberação do saque das contas dos trabalhadores no PIS/Pasep – que está em estudo pelo governo -, “pode ser interessante, desde que tenha dinheiro suficiente para isso, mas não gera sustentação da economia no longo prazo”. A expectativa do governo é de que a medida resulte em injeção de R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões na economia.

Aloisio Araujo, Professor da FGV EPGE e do Impa

Segundo Aloisio Araujo, professor da FGV EPGE e do Impa, a tendência de crescimento do PIB é muito preocupante. “Tudo está travado, com o contingenciamento ameaçando o funcionamento do governo e a situação política ruim.”

Em sua opinião, porém, uma série de medidas microeconômicas podem ajudar a melhorar as expectativas de crescimento do PIB, que vem se deteriorando de forma acelerada. Entre elas, estão o estímulo à competição no setor financeiro para reduzir o spread bancário, a melhoria na lei de falências, no sistema tributário e na competitividade do mercado de energia. Também iniciativas como a desvinculação do reajuste do salário mínimo ao crescimento do PIB.

Todas essas iniciativas, porém, deveriam ser tocadas de maneira paralela à reforma da Previdência. “Sem essa, que é a mãe das reformas, o País fica muito mais vulnerável a eventos como a deterioração do cenário externo com a guerra econômica entre EUA e China, por exemplo, que não estava no radar de ninguém até pouco tempo atrás.”

Para Araujo, o Banco Central também não deveria reduzir novamente a meta da inflação. “Quando a meta cai, o BC fica com medo de não atingi-la e tem dificuldade em reduzir os juros básicos. Ele precisa cair.”

José Luis Oreiro, Professor da UnB

Economista e professor da UnB, José Luis Oreiro concorda que a atual situação da economia é preocupante, com indicadores mostrando uma queda do PIB do primeiro trimestre.

“Não estamos distantes de um segundo trimestre também negativo, o que configuraria uma recessão técnica e é provável que a taxa média de desemprego este ano fique maior do que a da média do ano passado”, diz.

Na visão dele, no entanto, o ano não está completamente perdido e o governo ainda pode reverter essa situação negativa. “Uma solução pragmática seria rever a meta fiscal para 2019, hoje prevista em um déficit de R$ 139 bilhões para R$ 180 bilhões. Isso eliminaria a necessidade de contingenciamento dos gastos e aliviaria a situação do governo com a opinião pública. Mas é uma pena que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha a meta fiscal como bandeira e não admita fazer alguma revisão.”

Na avaliação de Oreiro, há espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, corte os juros básicos, hoje em 6,5% ao ano, mas a medida só teria efeito em 2020. “Para este ano, revendo a meta de déficit, dá tempo de dar uma guinada Não vai ser uma maravilha, mas dá para começar a salvar o segundo semestre.”

(Fonte: Dcomércio – https://dcomercio.com.br/categoria/economia/como-sair-da-crise-veja-o-que-dizem-8-economistas )

Todo cuidado é pouco com a vitrine, essa vendedora silenciosa

Conhecidas como comissão de frente do varejo e vendedora silenciosa, as vitrines servem ao varejo desde o final do século 19, quando a indústria conseguiu produzir as primeiras vidraças de grandes proporções.

Foram elas que durante décadas anunciaram as novidades comerciais, os lançamentos, as trocas de estações, as promoções e construiam as referências do varejo seja lá qual fosse a categoria.

Aos poucos, foram ganhando novos recursos visuais, novos formatos, cores, componentes e itens decorativos, que acabaram por potencializar seu papel nas vendas.

Hoje, a função das vitrines vai muito além da exposição de mercadorias e está muito mais relacionado à estratégia de construção de uma marca. Uma narrativa visual que imprime propósito, valor e relacionamento com o consumidor.

O PRIMEIRO VENDEDOR DA LOJA

A vitrine é o primeiro ponto de contato entre a marca e o cliente. Estudos mostram que são apenas três segundos para conseguir a atenção de quem passa na frente da loja e por essa razão é chamada por muitos de vendedor silencioso.

As posições de cada manequim, os diferentes materiais e acabamentos, o torneamento dos músculos, a quantidade de detalhes, a possibilidade de usar diferentes estilos de perucas e maquiagem permitem que cada vitrine transmita a cara de determinada marca.

Mas, o que, de fato, pode ser feito para uma vitrine ser atraente? Como convencer o consumidor, mesmo com a renda comprometida, a ver de perto o conteúdo da loja?

Durante a recente Retail Conference, promovida pela Associação Comercial e Industrial de Campinas, Marco Andrade, CEO da Expor Manequins Experts e Julio Takano, especialista em projetos para varejo, falaram sobre a importância do Visual Merchandising para o comércio.

De acordo com Andrade, 85% das vendas registradas em lojas físicas começam pelas vitrines. Portanto, é fundamental delimitar bem o objetivo de cada uma delas: mostrar uma nova coleção? Comunicar uma liquidação? Criar uma ambientação de posicionamento da marca? Incrementar a venda de um determinado produto? Tudo precisa ser bem pensado para que os olhares dos clientes enxerguem exatamente o que a marca deseja transmitir.

Para Takano, repaginar a vitrine é a primeira oportunidade para as marcas reinventarem seu ponto de venda para acompanhar o novo comportamento de consumo.

Ele cita o caso da Hering, que na loja conceito do Shopping Morumbi, optou pelo modelo frente aberta,sem vitrine, além de oferecer serviços de customização com estampas exclusivas feitas na hora, tela touch screen no provador que sugere opções de uso para a peça que o cliente está provando e onde é possível solicitar mais peças ou diferentes tamanhos à equipe de vendas. Há também um novo modelo de caixa e a opção de comprar na internet e retirar na loja.

“O consumidor fica duas horas passeando na loja e provando roupas, mas na hora de pagar ele tem pressa e quer ser rápido. Por isso, é preciso ir além e deixar claro que isso é possível em sua loja”, diz Takano.

Outra dica dos especialistas para despertar interesse nos consumidores é deixar a vitrine ser guiada pelo propósito da marca. Em voga, o termo tem sido associado ao varejo e cada vez mais os consumidores querem entender porquê e para que cada marca foi criada e isso, além de um tema para a vitrine, pode ser um diferencial diante da concorrência.

Não precisa ser nada sofisticado, o importante é que a composição do cenário e os produtos expostos tenham uma conexão com a proposta da marca. “É preciso contar uma história”, diz Andrade.

Um bom exemplo é o retrofit feito pela Chilli Beans, que comercializa óculos, em 2017. A proposta era implementar uma arquitetura que facilitasse a comunicação direta com o consumidor e que o fizesse depender menos do auxílio de um vendedor.

A nova identificação da marca foi projetado desde a fachada até as comunicações internas como sinalizações obrigatórias, campanhas comerciais, precificação e apresentação das categorias presentes em loja — óculos de sol, óculos de grau, relógio e acessórios.

A intenção era harmonizar e destacar as principais características da marca: liberdade e atitude rocker. A liberdade no manuseio dos produtos, em que o cliente pode tocar e provar o que quiser, sem ser abordado por nenhum vendedor é um fator determinante para o sucesso da marca e foi o ponto de partida para a concepção do projeto.

Além de quantificar o fluxo de consumidores que entraram na loja estimulados pela vitrine, Andrade diz que há outras maneiras de verificar se ela está realmente tendo o resultado esperado. Uma delas é a taxa de conversão em vendas.

Um jeito simples de realizar esse tipo de monitoramento é fazer um levantamento diário para acompanhar as vendas dos itens em exposição. Se estes produtos começaram a ter mais saída, é um bom indicador de que a sua vitrine está funcionando.

Do contrário, algo está errado. Certifique-se de que não há erros na montagem da vitrine, reformule a concepção dos manequins e continue medindo os resultados. Entretanto, nem sempre a saída dos produtos expostos se dá por influência direta da vitrine.

Nesse total incluem-se clientes que compraram um item da vitrine, mas que chegaram à loja depois de ver um anúncio ou por indicação de amigos, por exemplo.

Além disso, há uma forma ainda mais simples de atestar se está fazendo um bom trabalho: conversando com o cliente. Com o tempo, sua loja terá dados suficientes para medir o resultado da vitrine.

APROVEITE TODO E QUALQUER MOMENTO

Com a vitrine à disposição, além de um profissional e algumas técnicas é preciso também ter muita criatividade.

Um bom exemplo foi a estratégia da Dior, em 2010, em uma de suas lojas de Nova York, que estava em obras.

No lugar dos velhos conhecidos tapumes de material compensado, a marca apostou em uma réplica de bolsa gigante para esconder a reforma – o que acabou a transformando num ponto turístico.

Além de ser fiel ao modelo vendido pela marca, a bolsa também estampava a data de reinauguração da loja e direcionava os clientes para outros endereços.

(fonte: Dcomércio.com.br )

80% das empresas abertas no 1º tri são MEIs

O número de novas empresas cresceu 17,2% no 1º trimestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Boa Vista, com abrangência nacional.

Comparando com o 4° trimestre de 2018, o avanço foi ainda maior, de 24,9%. No acumulado em quatro trimestres o indicador avançou 16,7%.

FORMA JURÍDICA

Na classificação por forma jurídica, a variação interanual mostrou crescimento nas aberturas para MEIs (23,4%) e queda nos demais tipos de empresas (-2,5%).

Já em termos de composição, as MEIs representaram 80,8% dos casos no trimestre. No ano anterior a participação dessas empresas era um pouco menor, de 76,9%.

SETORES

Quando analisada a composição das novas empresas por setores, o levantamento mostrou que o setor de Serviços atingiu 61,6% de representatividade no trimestre, estando maior que os 57,6% observados no mesmo período 2018.

O Comércio teve queda na participação, chegando a 29,7%. Já a indústria avançou para 8,0% (+1,0 p.p.).

O que mudou no comportamento do consumidor

O novo perfil do consumidor moderno, definido cada vez mais como conectado, exigente e em busca de experiências, impacta seu comportamento de compra dentro e fora do lar.

De acordo com o levantamento da Kantar apresentado na APAS Show 2019, maior feira do setor de supermercados do mundo, o consumidor possui necessidades distintas dependendo da situação em que se encontra, seja o dia da semana, se está ou não acompanhado e de acordo com a motivação da compra.

Todas essas diferenças criam um consumo específico, o que gera uma hipersegmentação do mercado. Se antes os consumidores eram identificados através de grupos similares, como por exemplo, tradicional, fitness ou experimentador de inovações, agora as decisões são mais específicas e podem variar de acordo com o momento, buscando preço ou experiência de compra, por exemplo, de acordo com a ocasião. Isso impacta também as decisões de compra e consumo dentro e fora do lar.

Para exemplificar esse comportamento, foi feito um aprofundamento na categoria de refrigerantes. Notou-se que apesar de a bebida ter uma penetração mensal parecida dentro e fora do lar, o compartilhamento é bem diferente: 96,7% dividem o produto em casa, enquanto apenas 41,4% o partilham quando estão fora.

A presença do refrigerante na mesa também muda de acordo com o dia da semana e o tipo de refeição. O consumo dentro do lar é prioritário durante o jantar e aos finais de semana. Fora, é mais frequente durante os almoços de segunda a sexta-feira.

Os consumidores também mudam seus hábitos de consumo em relação à produtos regulares e diet/light/zero. Em casa, as bebidas regulares (54%) são mais importantes do que as zero açúcar (48%) nos finais de semana. Fora do lar, as opções diet/light/zero representam 36,7% das vendas aos sábados e domingos, contra 35,1% dos açucarados.

No entanto, mesmo quem opta pelas bebidas sem açúcar em determinadas ocasiões, também compra produtos de categorias mais indulgentes em outros momentos. Seja dentro ou fora do lar, a cerveja é a principal escolha desses consumidores, e biscoitos e salgadinhos também tem participação relevante, principalmente fora do lar.

Quanto ao formato, a garrafa plástica representa 95% no volume da bebida que chega aos lares contra 4,6% da embalagem de lata. Fora do lar, os números variam: a lata equivale a 26% da fatia de mercado, enquanto 68% dos consumidores ficam com as garrafas plásticas.

Na hora de definir o sabor, a cola ainda é a estrela em todos os cenários. Dentro do lar, os refrigerantes de cola (28% de participação) são seguidos de perto pelo guaraná (27% de participação), especificamente em compras nos super e hipermercados. Já fora, a diferença é maior, pois este tipo da bebida representa 58% das escolhas nas ocasiões de impulso contra 20% do guaraná, 12% de laranja e 8% de limão.

“Fora do lar, as cantinas, cafeterias, padarias e docerias são os pontos prioritários para compra de refrigerantes. Dentro do lar, os hipermercados e supermercados ainda são os mais escolhidos. O shopper busca canais que se complementem de acordo com as necessidades de cada momento e isso é o que gera uma ocasião de compra”, diz Deborah Maeda, Diretora de Retail da Kantar.

“É essencial ter um sortimento adequado por canal para atender as mais diferentes necessidades dos clientes. As garrafas pet, por exemplo, são mais importantes para supermercados independentes, varejo tradicional, atacarejo e lojas de departamento. Os hipermercados são o principal canal para bebidas com sabor de uva e outras frutas. Os zero açúcar são melhor cotados em hipermercados, supermercados de rede e lojas de departamento”.

(fonte: https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/o-que-mudou-no-comportamento-do-consumidor )

Vendas no varejo recuam 4,5% em março

As vendas no varejo subiram 0,3% em março, comparado ao mês anterior, após terem ficado estáveis em fevereiro, divulgou nesta quinta-feira (9/05), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A média móvel trimestral também variou 0,3%, depois de cair 0,6% em fevereiro. No primeiro trimestre do ano as vendas do varejo avançaram 0,2% em relação ao quarto trimestre. No confronto com o período de janeiro março de 2018, houve aumento de 0,3%.

Já comparado a março do ano passado, as vendas em março caíram 4,5%, interrompendo sete meses de alta com a variação negativa mais acentuada desde dezembro de 2016, quando registrou queda de 4,9%.

Em relação ao dado mensal, a alta de 0,3% veio dentro do intervalo das expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast, de queda de 1,1% a elevação de 2,2%, mas aquém da mediana, positiva de 1,0%. Na comparação com março do ano passado, o resultado de -4,5% veio igual ao piso; o teto era de alta de 2,7% e mediana de -2,7%.

Quanto ao trimestre, a taxa de 0,2% veio pior que a mediana de 0,37% (intervalo de -0,40% a +1,00%). Em relação ao primeiro trimestre de 2018, a elevação de 0,3%, também ficou aquém da mediana de 0,90% das projeções (de -4,00% a +2,80%).

Nos últimos doze meses, a alta foi de 1,3%, registrando uma desaceleração em relação a fevereiro, quando obteve avanço de 2,3%. Essa taxa se mantém decrescente desde agosto de 2108, informou o IBGE.

Das oito atividades pesquisadas, cinco ficaram negativas, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, em queda de 0,4%, e combustíveis e lubrificantes, com recuo de venda de 0,8%.

VAREJO AMPLIADO
As vendas do varejo ampliado, que incluem veículos, motos, parte e peças e de material de construção tiveram alta de 1,1% em relação a fevereiro deste ano, após recuo de 0,5% no mês anterior. A média móvel do trimestre subiu 0,5%, contra a queda de 0,4% em fevereiro.

Em relação a março de 2018, as vendas do varejo ampliado despencaram 3,4%, interrompendo uma série de 22 taxas positivas.

No primeiro trimestre, o varejo ampliado acumulou alta de 2,3% na comparação com igual trimestre de 2018 e cresceu 0,3% ante o quarto trimestre do ano passado 2018. Ainda, acumulou ganho de 3,9% nos últimos doze meses.

No comércio varejista ampliado, a venda de veículos, motos, partes e peças subiu 4,5% e a de material de construção teve alta de 2,1%, na comparação de março contra o mês anterior.

Frente a março de 2018, a venda de veículos, motos, partes e peças caiu 1,2% e a de material de construção permaneceu estável.

ANÁLISE DA ACSP
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que a queda de 4,5% nas vendas do varejo em março, apesar de elevada, não surpreende.

“Nosso Balanço de Vendas da capital já havia registrado queda de 4,4% em março, ou seja, já imaginávamos que o fato de o Carnaval ter caído nesse mês provocaria uma retração no setor. Mas os problemas do varejo vão além do Carnaval. Há questões estruturais da econômica que vêm restringindo a capacidade do comércio de crescer, como o desemprego alto, a queda na confiança do consumidor em março e os salários que cresceram pouco”, diz Marcel Solimeo, economista chefe da ACSP.

Ele chama atenção para o recuo no ramo supermercadista, que apresentou queda de 5,7%, devido à alta pontual no preço dos alimentos.

“Os próximos meses, porém, devem ter resultados positivos. Nosso Balanço de abril já mostrou uma alta de 3,7% e, em maio, haverá um efeito-calendário positivo, em decorrência de um dia útil a mais, além da greve dos caminhoneiros do ano passado, que reprimiu a base de comparação”, conclui.

(fonte: https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/vendas-no-varejo-recuam-4-5-em-marco )

Walmart aposta em atacarejo para retomar crescimento

O Walmart faz o primeiro movimento para retomar o crescimento da companhia no País, quase um ano depois de a operação brasileira passar para o controle do fundo de investimento americano Advent.

Hoje a empresa reinaugura a primeira loja conceito do Maxxi, sua bandeira de atacarejo, em Diadema (SP), totalmente remodelada.

“Queremos voltar ao jogo do atacarejo”, diz Beto Alves, diretor executivo de atacado do Walmart. Ele ingressou no grupo em agosto de 2018, depois de trabalhar por 30 anos no Atacadão, braço de atacarejo do Carrefour.

Sem revelar as cifras investidas nem metas de vendas, Alves afirma que companhia pretende, até o fim de 2020, reformar as 43 lojas da bandeira Maxxi e transformar mais dez hipermercados em atacarejos.

A médio prazo, há a perspectiva de abrir novas lojas no modelo. Existem também planos de converter unidades deficitárias de hipermercados em clube de compras (Sam’s Club).

A aposta do grupo no formato de atacarejo, que é o que mais cresce nas vendas de itens de alimentos e higiene – com alta de 12,3% nos volumes no ano passado, segundo a consultoria Nielsen -, ocorre após o Advent assumir o controle da companhia.

LEIA MAIS: Atacarejos crescem e engordam faturamento do setor

O fundo Advent planeja investir no grupo R$ 1,9 bilhão até 2021 e nessa cifra estão os atacarejos. Alves diz que o Maxxi não era prioritário na antiga gestão. “Ele não recebia muitos investimentos e não tinha grande entrega”, diz.

Pelos resultados da concorrência, Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, considera o foco no atacarejo um caminho correto. Em 2018, o Atacadão, por exemplo, respondeu por 68% das vendas do Carrefour.

Para dar cara nova ao Maxxi, a companhia fez reformulações internas. Agregou mais 2,5 mil novos itens na loja, chegando a quase 6 mil, com reforços em perfumaria e perecíveis.

Tudo isso para atrair consumidores que vão fazer grandes compras de abastecimento para a casa e pequenos comerciantes.

Também mobilizou uma equipe exclusiva de compras para o atacarejo a fim de negociar melhor com os fornecedores. “O grande problema era o sortimento e a irregularidade do preço”, afirma ele.

(fonte: https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/walmart-aposta-em-atacarejo-para-retomar-crescimento )

Brasileiros têm aproveitado melhor programas de fidelidade

O faturamento bruto total das empresas de fidelidade somou R$ 6,9 bilhões em 2018, 11,4% acima do verificado no ano anterior.

Os dados são da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf), que compilou os resultados de seis de suas associadas (Dotz, Grupo LTM, Multiplus, Netpoints, Smiles e TudoAzul).

Conforme a entidade, no ano passado foram resgatados 245 bilhões de pontos e milhas via programas de fidelidade, volume 20,5% superior ao registrado em 2017. No mesmo intervalo, a emissão de pontos/milhas cresceu 13,9%, atingindo um total de 286,6 bilhões.

O grupo varejo, serviços, bancos e indústria respondeu por 90,4% dos pontos originados, com o cartão de crédito mantendo a liderança como principal fonte de acúmulo de pontos/milhas. Os outros 9,6% vêm da compra de passagens aéreas.

De acordo com o levantamento, o principal destino nacional dos participantes dos programas de fidelidade é São Paulo, seguido por Rio de Janeiro e Brasília. Nas viagens internacionais, os bilhetes mais resgatados nos últimos três meses de 2018 foram para Miami, Orlando, Santiago e Lisboa. Buenos Aires caiu para quinta posição e Lima perdeu a décima posição do ranking para a cidade de Londres, no Reino Unido.

Em 2018, o número de cadastros nos programas de fidelidade aumentou 13,7%, somando, 127,6 milhões em todo o País. Desse público, a maior parte concentra-se na faixa etária de 26 a 40 anos (37,9%).

Na hora de resgatar pontos/milhas, os brasileiros continuam investindo em passagens aéreas. Elas correspondem a 74,8% do total de pontos/milhas utilizados no quarto trimestre de 2018.

Já a taxa de breakage, que mede o porcentual de pontos/milhas que os consumidores deixam expirar, ficou praticamente estável no quarto trimestre de 2018, em 16,5%, número considerado dentro da média de mercados de fidelidade mais desenvolvidos.

Em nota, o presidente da entidade, Roberto Chade, destaca o engajamento dos participantes, que tem aproveitado melhor os benefícios da fidelização.

“Por outro lado, as empresas estão ampliando sua atuação e oferecendo mais possibilidade de ganho e troca para seus clientes, o que acaba atraindo novos parceiros e impulsiona o desenvolvimento do setor no País”.

(fonte: Dcomércio – https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/brasileiros-tem-aproveitado-melhor-programas-de-fidelidade )