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Brechós são alternativa de economia em BH

O acesso a artigos únicos a preços acessíveis e o resgate do consumo consciente são alguns dos motivos que fazem dos brechós um empreendimento atrativo para lojistas e consumidores. Em Belo Horizonte, esse modelo de negócio segue firme, atraindo um público diversificado, de todas as classes sociais, e com interesses variados. A Capital abriga, hoje, brechós de grife, infantil, de artigos para o lar, retrô e contemporâneo. E todos eles atendem tanto quem procura peças mais baratas e em bom estado, quanto quem quer vender itens usados, os chamados desapegos. Peças com defeitos, sujas, rasgadas ou manchadas não são mais admitidas pelos clientes, cada vez mais exigentes e detalhistas.

A maioria dos brechós trabalha com consignação. Nela, o interessado repassa algo para a loja e recebe o pagamento somente após a venda do item. Nesse esquema, o cliente pode optar por ficar com crédito no brechó ou fazer permuta, escolhendo outras peças. Ou então levar as peças e receber o valor acordado na mesma hora. Embora ainda não haja dados recentes que confirmem a expansão do setor, levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que o número de micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional no comércio varejista de artigos usados no País cresceu 8% no ano passado sobre 2015, em plena crise econômica. Só em Minas Gerais, segundo a Receita Federal, em pesquisa divulgada no último dia 28, são 1.982 pequenas e micro empresas atuando no comércio varejista de usados.

Dona do Brilhantina Brechó, na região da Savassi, Raquel Fernandes Vieira faz parte da estatística. Ela vende roupas e acessórios femininos, com estilo retrô, há 15 anos. Nessa época do ano, o volume de vendas chega a aumentar em cerca de 30%. Mas o crescimento não tem muito a ver com o Natal. “Um presente usado não é muito usual, a menos quando o presenteado é um apaixonado por peças de brechó. O fim de ano é mais propício para compras de casacos de inverno, para serem usados em viagens para fora. É o item que mais vendemos aqui”, afirma a lojista, dizendo ainda que em uma compra o cliente pode obter até mais de 80% de economia. “Outro dia, vendi um vestido de marca que novo custaria R$ 1,2 mil por R$ 150”, exemplifica.

Para ela, a crise, de uma forma geral, impactou todos os setores da economia, uns mais, outros menos. No seu nicho, especificamente, ela percebe que a falta de dinheiro trouxe mais fornecedores para o brechó, o que permite a ela manter um mix de produtos diferenciado. “As pessoas têm deixado peças autorais muito legais para vender”, observa. Segundo Raquel Vieira, isso facilita a curadoria e acaba alavancando as vendas. “Tenho peças aqui que nunca foram usadas”, comenta. Ela tem trabalhado com um tíquete médio de R$ 150. No Brechó Brilhantina é possível encontrar peças de R$ 20 a R$ 200.

Qualidade e preço – Há 31 anos no mercado, a loja de usados Bagatelas & Badulaques, no bairro Funcionários, região Centro-Sul da Capital, vende itens de casa, como móveis e eletrodomésticos, a roupas e acessórios em bom estado, que variam, no caso de roupas, de R$ 6 a R$ 200. Já no caso do mobiliário, de R$ 20 a R$ 5 mil. De acordo com a proprietária Lilian Karez, o aumento do desemprego nos últimos dois anos afetou em cheio o consumo e o seu brechó sentiu esse impacto. “Não tivemos aumento de vendas, mas também elas não caíram, permanecemos estáveis”, avalia.

Ainda que hoje ela perceba no segmento maior oferta que demanda, Lilian Karez diz que o consumo responsável trouxe mais clientes para as lojas de usados, tanto que, na opinião dela, o número de brechós aumentou, tendo até feiras exclusivas de usados sendo realizadas pela cidade. “Sem contar as vendas por aplicativos e os grupos de troca por WhatsApp”, completa. A concorrência não chega a incomodar, mas pulveriza os clientes.

O fim de ano, para a lojista, também não representa um volume de venda expressivo. No Bagatelas & Badulaques são os inícios de semestre os melhores períodos. Lilian Karez conta que tem um número de clientes grande que busca em sua loja artigos de inverno, como roupas de lã e casacos para as viagens internacionais. Além desse público, ela tem o que é formado por estudantes de fora, que sempre precisam de um item ou outro para compor a casa. Daí a procura por xícaras, rádios e toca-discos ser grande. “As pessoas querem hoje aliar qualidade a preço e vêm ao brechó em busca disso”, diz.

Desaceleração – Para a dona do brechó Outra Vez, Marli Rodrigues Aleixo, embora os ganhos nessa época do ano sejam um pouco melhores devido à compra de artigos para viagens, de uma forma geral, eles não têm sido muito significativos. Há nove anos oferecendo peças contemporâneas, sapatos e bolsas femininas a partir de R$ 10, a loja, que estava em franco crescimento há três anos, se mantém estável desde o início da crise, em 2015. “Se a economia estivesse melhor, o negócio estaria maravilhoso”, lamenta.

A comerciante estima um tíquete médio na loja de R$ 150, e tem como estratégia de vendas uma banca de ofertas mantida quase todo o ano. Nela, os clientes podem encontrar artigos de R$ 10 a R$ 100. No entanto, as vendas ficam aquecidas mesmo é no início do inverno e na chegada da primavera/verão. “Nessas ocasiões, as pessoas querem dar uma renovada no guarda-roupa”, diz. “Já o Natal é péssimo. Quase ninguém compra presente usado”, constata.

Ao contrário do que acontece em outros estabelecimentos ouvidos pela reportagem, que registram neste ano alta no número de fornecedores, Marli Aleixo percebe no seu brechó uma pequena diminuição da procura por compra ou consignação de peças. A isso ela atribui a queda do poder de compra do consumidor. “Com a crise, as pessoas andam se desfazendo menos dos objetos usados”, comenta. No seu dia a dia, ela diz que ocorre uma inversão, uma mudança de perfil da clientela. Os mais assíduos deixaram de frequentar a loja e novos clientes surgem a cada dia trazendo peças, porém comprando menos.

(fonte: Diário do Comércio)

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