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Atacadistas voltam a investir e indicam que economia está em vias de recuperação

Boa parte da demanda do setor é proveniente do varejo, que já esboça uma recuperação nas vendas nesse segundo semestre

Com o corte de gastos e o desemprego crescente, muitas pessoas estão empreendendo no ramo da alimentação fora do lar, como lancheiros e culinaristas. Esse foi um dos principais motivos que levou a rede atacadista Roldão a registrar maior movimento de clientes nas lojas no último ano.

Para atender a demanda, que segue em crescimento, segundo o diretor de Operações e Supply Chain da companhia, Artur Raposo, a rede está investindo em novas unidades. Já são 28 espalhadas por todo o Estado de São Paulo, e a mais recente foi inaugurada no mês de setembro em Cidade Dutra, na Zona Sul da Capital. Ampliando sua atuação também para o interior paulista, a empresa adquiriu em janeiro desse ano a rede Mega Atacadista, com lojas em Bauru, Limeira, Rio Claro e Marília. A previsão é abrir mais duas lojas até o final do ano, em locais não revelados.

Demanda
Segundo Raposo, apesar dos alimentos em geral, especialmente os perecíveis serem os itens mais vendidos, houve aumento nas transações em todos os setores, de alimentos a produtos de limpeza. “Os clientes abastecem o seu negócio e aproveitam para fazer a compra do mês para a casa”, alega. Dessa forma, a companhia aproveitou o momento para ampliar o mix de produtos e a variedade de marcas.

“Diferente do passado, quando o atacado vendia somente itens básicos, hoje os clientes encontram também marcas premium de diversos produtos, entre os quais azeites, cervejas e queijos especiais e vinhos importados, além de grande linha de higiene, beleza e limpeza.” Atualmente, a rede oferece em torno de 7 mil itens, incluindo produtos sem glúten e sem lactose.

O investimento não foi apenas em expansão: inclui também contratação. O diretor comenta que há seis meses foi realizada seleção para empregar 250 funcionários. Com todas essas novidades, o objetivo do Roldão é crescer na casa dos dois dígitos, tanto em 2016 quanto no ano seguinte.

Recuperação
Para a assessoria técnica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o quadro ainda é grave mas alguns sinais apontam para a recuperação da economia. Investir na abertura de novas unidades, como o Roldão está fazendo, é um deles. Isso porque em tempos de crise e incerteza, muitas empresas congelam as estratégias de crescimento e os planos de expansão. Quando elas tiram esses projetos da gaveta, é porque estão começando a retomar a confiança de que o cenário melhorará.

Quando o investimento parte dos atacados, pode significar que o consumo na outra ponta será reativado. É um movimento gradativo, aponta a assessoria técnica: se os atacadistas estão investindo, é porque notam que a demanda vai aumentar e precisarão estar preparados para atendê-la.

Boa parte dessa demanda virá do varejo, já que muitas empresas do segmento se abastecem nos atacados. Se os varejistas elevam sua demanda, é porque avaliam que o consumidor voltará a comprar em suas lojas. Mas vale dizer que esse processo todo não acontece do dia para a noite, é um movimento relativamente lento, mas pode ser encarado como positivo para a retomada do consumo.

(Fonte: Fecomercio)

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