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Após tentativas, quase metade de empresas em MG não consegue crédito na pandemia

Com portas fechadas durante meses e sem a certeza de quando o mercado retorna ao ritmo anterior à pandemia de coronavírus, cerca de 53% dos lojistas mineiros recorreram a linhas de crédito para manter as contas em dia — mas quase metade deles não conseguiu obtê-las e aponta problemas como burocracia dos bancos e juros altos como os maiores obstáculos.

Os dados são de uma pesquisa recém-divulgada pelo Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH). Junto a outros 14 sindicatos patronais de Minas Gerais, ele ouviu ouviu 423 empresas, distribuídas entre 25 cidades mineiras e totalizando cerca de 1.300 pontos de vendas e quase 11 mil empregos. “O comércio, de modo geral, nunca teve linhas de crédito baratas como a indústria e a agricultura. Temos linhas com juros de 1,5% a 2% ao mês, o que dá 25%, 30% ao ano. No começo da pandemia, o Governo Federal liberou crédito barato para empresas pagarem as folhas de pagamento, mas esse dinheiro não chegou a elas”, aponta o presidente do Sindilojas-BH, Nadim Nonato.

A maioria das empresas precisou dos empréstimos para ter capital de giro ou honrar com a folha de pagamento, mostra o levantamento. Menos de 1% dos entrevistados diz ter conseguido contratar empréstimo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e sequer 10% tiveram sucesso com os bancos privados.

No início desta semana, o Banco Central (BC) anunciou uma nova de linha de crédito para micro, pequenas e médias empresas, o Capital de Giro para Preservação de Empresas (CGPE), com potencial de R$ 127 bilhões. Em maio, o governo federal já havia anunciado o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), linha de crédito que, até então, nem todos os bancos já oferecem — de acordo com a pesquisa do Sindilojas-BH, pouco menos de 2% das empresas entrevistadas conseguiram crédito pelo programa. Nesse cenário, lojistas que tiveram dificuldade na obtenção de crédito durante a pandemia temem que a ajuda chegue tarde demais.

“Vivemos uma insegurança política, uma insegurança jurídica, com riscos trabalhistas, e agora essa insegurança econômica e financeira. Para ter coragem de continuar no negócio temos que estar minimamente seguros”, diz Luciana Morato, dona de três lojas franqueadas de calçado, todas elas em shopping centers da capital. Ela conta que procurou linhas de crédito já em meados de março, quando precisou suspender o funcionamento das lojas, e conseguiu obter uma por meio de um banco privado, com juros anuais de 15%, no final de abril para cobrir a folha de pagamento dos 21 funcionários, que foram colocados de férias. Luciana pontua que burocracia — como solicitação de documentos contábeis — e morosidade de bancos privados para lidar com os recursos públicos foram empecilhos para ter acesso mais rápido ao dinheiro.

Agora, as férias e o período de suspensão de contrato já foram finalizados e ela reduziu a jornada dos trabalhadores, que passaram a se dedicar a vendas online. Enquanto não consegue mais empréstimos, assiste ao acúmulo de dívidas de aluguel das lojas, impostos e contratos com os fornecedores. “Eu preciso do dinheiro, primeiro, para colocar as dívidas em dia. E não acho que as linhas de crédito oferecidas sejam de investimento, elas são para sanar problemas de curto prazo. Mas o pequeno e médio empreendedor vai precisar reinvestir para dar continuidade ao negócio. Precisamos de linhas com perfil de investimento, mais longas”, diz.

Nadim Nonato, do Sindilojas-BH, cobra celeridade da disponibilização dos empréstimos e que o governo federal garanta o repasse de juros mais baixos pelos bancos privados que aderirem aos programas federais. “Se não conseguir crédito agora, o negócio vai morrer.Eles precisam abrir as portas e ter dinheiro para ir pagando o aluguel e as mercadorias e ir recuperando as vendas”, destaca.

Por meio de nota, o Ministério da Economia afirma que “tem tomado todas as providências para que o crédito chegue ao micro e pequeno empreendedor”. De acordo com a pasta, a Caixa Econômica foi a primeira instituição a concluir habilitação para fornecer crédito pelo Pronampe – até então, é a única, e outras serão listadas no Portal do Empreendedor na medida em que se habilitarem, informa o ministério.

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), também por meio de nota, afirma que a taxa de juros do programa BDMG Solidário Coronavírus, lançado em virtude da pandemia, é mais baixa que a do BNDES, chegando a 0,83% ao mês, e que registrou um recorde de crédito para micro e pequenas empresas em maio desde ano, disponibilizando R$ 62 milhões.

BDMG anuncia adesão a Pronampe, linha de crédito do Governo Federal

O BDMG anunciou, nesta quinta-feira (25), que vai aderir ao  Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), do Governo Federal. As empresas interessadas devem procurar o banco mineiro a partir do dia 30 de junho, por meio da plataforma online BDMG Digital.

Para participar, as empresas devem ter faturamento anual de até R$ 360 mil e ter sido fundadas até 18 de maio de 2019. A linha promete juros de 1,25% ao ano, com prazo de 36 meses — oito de carência de 28 de pagamento. O crédito poderá ser aplicado em capital de giro ou em investimentos, com limite máximo de contratação de 30% da receita bruta da empresa em 2019.

(fonte: O Tempo – https://www.otempo.com.br/economia/apos-tentativas-quase-metade-de-empresas-em-mg-nao-consegue-credito-na-pandemia-1.2353351 )

 

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