Comércio vive otimismo em Belo Horizonte, mas consumidor ainda segura o bolso

Após quase um ano e meio de “abre e fecha” e consecutivos prejuízos, os lojistas de Belo Horizonte estão esperançosos com o segundo semestre deste ano, que terá maratona de datas comemorativas e promete avanço da vacinação contra a Covid-19.

No meio do caminho, porém, o otimismo esbarra no aperto financeiro dos consumidores e na incerteza sobre os rumos da pandemia.

Gerente comercial de cinco lojas de roupas em BH e região, Kennedy Santos, 38, que se vacinou contra a Covid-19 nesta semana, mantém otimismo sobre os rumos da pandemia e a retomada do faturamento, que ele diz ter sido acentuada neste mês.

“Hoje, estamos na nossa melhor fase de vendas desde o começo da pandemia. A recuperação é lenta, mas acontece. Em março, precisamos demitir toda a equipe e, agora, recontratamos, mas com comissão mais baixa, porque o preço de tudo o que compramos aumentou e não conseguimos repassá-lo ao cliente”, diz Santos.

A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) projeta um crescimento de 4,8% das vendas em 2021 ante 2020, mas ainda inferiores às de 2019, e vê um cenário positivo para os próximos meses, com Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

Esse otimismo também é atestado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG): segundo levantamento divulgado ontem, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) chegou a 102,3 pontos, igual dezembro de 2020. Acima dos 100 ele é considerado positivo.

“O varejista precisa do contato pessoal, do fluxo de pessoas, então a possibilidade de manter as portas abertas tende a retomar o otimismo. Também temos o avanço da vacinação, que melhora a perspectiva da manutenção dessa abertura e deixa o comércio mais confiante. A preocupação que fica é com essa nova variante delta do vírus, que causa problemas em países onde se considerava que a pandemia estava controlada”, pontua o economista da Fecomércio MG Guilherme Almeida.

Ele lembra que, no final de 2020, o otimismo também era alto, mas foi barrado pelo recrudescimento dos índices de contaminação nos meses seguintes.

Sócio administrativo de duas lojas de acessórios em shoppings de BH, Bruno Jácome, 39, aposta em um aumento de 10% a 20% das vendas até novembro, antes do Natal, e abriu contratações – agora que os shopping centers podem operar inclusive aos domingos. “Acho que agora vai desmanchar e o comércio não vai fechar de novo”, opina ele.

O presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, aponta que a total retomada do comércio depende do retorno das demais atividades na capital.

“Se você não tiver a engrenagem toda funcionando, não tem esse retorno tão rápido. O retorno das escolas está devagar, e o setor de eventos volta com dificuldade”, diz.

Desemprego e inflação desanimam consumidores

A perita forense Alessandra Drakoulakis, 49, conta que todos na casa dela mantiveram o emprego durante a pandemia, mas viram o poder de compra minguar com o aumento dos preços.

“Não faço mais compras do mês no supermercado. Eu e muitas amigas estamos vivendo à base de promoções: vou ao mercado quando vejo oferta”, diz.

Segundo a Fecomércio MG, a Intenção de Consumo das Famílias continua abaixo dos 100 pontos e, em julho, foi de 63,7.

“Quando tenho alto nível de desemprego, a renda é inferior e, então, tenho menor orçamento para consumo. Mas as datas que estão chegando têm apelo comercial, como a Black Friday, e emocional, como o Dia dos Pais, e as pessoas compram no impulso”, reflete o economista Guilherme Almeida.

Metade dos pequenos negócios em Minas atribui sobrevivência às vias digitais

Cinco em cada dez donos de pequenos negócios em Minas Gerais acreditam que o uso de ferramentas de Marketing Digital para divulgar ou vender produtos e serviços foi essencial para a sobrevivência dos empreendimentos em meio à crise econômica causada pela pandemia de Covid-19. O dado consta de uma pesquisa feita pelo Sebrae Minas, que ouviu 1.160 pequenos empreendedores, de 8 a 20 de maio.

O estudo mostra o uso cada vez maior da internet para divulgar ou vender produtos e serviços, em seis em cada 10 pequenos negócios no Estado. Outros 20% usam somente os meios digitais para alcançar os clientes. O impacto da adesão ao meio digital entre os pequenos negócios também fez com que uma parcela deles abandonasse os estabelecimentos físicos e passasse a atuar só pela internet – 10%, diz o levantamento.

O Comércio é o setor em que os empreendimentos mais usam o marketing digital – 71%. Seguido de Serviços – 64%; Indústria – 63%; e Construção Civil – 53%. Quando se mede a importância do uso da internet para os negócios, a Indústria lidera a lista, com 79%, seguida por Serviços, 78%; Comércio, 75% e Construção Civil, 69%.

Na opinião de Paola La Guardia, analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas, o impacto do marketing digital nos pequenos negócios em Minas poderia ser maior, já que cerca de um terço desse modelo de empresas ainda não usa as ferramentas.

Novos mercados

A inserção dos pequenos negócios no meio digital também é vista como uma forma de muitos empreendimentos alcançarem mercados antes limitados pelo espaço físico. “O marketing deixou de um ser somente um setor de custos, para ser incorporado à estratégia da empresa. A pandemia causou um movimento de quem não se digitalizou pelo amor – ou seja, antes da necessidade–, mas se digitalizou pela dor, para não fechar as portas. É um caminho sem volta”, sentencia Marcelo Sander, especialista em Marketing Digital e professor das Faculdades Promove.

Ferramentas auxiliam empreendedoras a apresentarem seus produtos a mais clientes

Nesta pandemia, a confeiteira Stefanie dos Santos, de 32 anos, deixou para trás a Biblioteconomia para investir na confeitaria, paixão dos tempos da adolescência. Em janeiro de 2020, decidiu comprar um carrinho para vender os bolos e cakes produzidos em casa, mas foi surpreendida com as medidas de isolamento social. Sem saída, decidiu buscar o marketing digital como aliado.

“Apostei em um aplicativo de delivery e nas redes sociais para alcançar os meus clientes. Investi em anúncios pagos para aumentar o alcance das publicações e hoje chego a um público que não alcançaria na loja física”, afirma a microempreendedora.

A empresária Cristina Souza, sócia de uma clínica de biomedicina e estética, passou a ver nas redes sociais a saída para vencer a crise econômica. Desde julho do ano passado, capacitou seu empreendimento para aperfeiçoar o uso da internet nas vendas e divulgação dos serviços.

“Temos mais de 20 mil seguidores no Instagram e a maioria dos nossos clientes chegou on-line”, revela. Cristina garante que 70% do faturamento é proveniente dos clientes alcançados na rede.

Dica

“É melhor usar um canal – como Instagram, Facebook ou WhatsApp, por exemplo – em toda a sua potencialidade, atingindo o alvo, do que tentar atirar para todos os lados. Não é somente usar as mídias sociais, é fazer com que os clientes sejam laçados pelas ações”, garante Carla Gobb, analista de Inovação e Competitividade do Sebrae Minas.

(fonte: Hoje em Dia)

Franquias mantêm recuperação no 4º trimestre, mas sentem efeitos da pandemia

Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou nesta quarta-feira (3) o balanço consolidado do setor em 2020. A pesquisa revela que o setor manteve sua curva de recuperação no quarto trimestre de 2020, se aproximando dos níveis pré-Covid-19.

O estudo mostra, ainda, que o franchising registrou uma receita apenas 1,8% menor no período, comparado ao 4º trimestre de 2019, que foi de R$ 54,966 bilhões para R$ 53,976 bilhões. Considerando o desempenho do ano todo, porém, o impacto da pandemia foi maior, com o faturamento geral do setor recuando quase três anos.

Conduzido por André Friedheim, presidente da entidade, o evento online contou com a participação de Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, e Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

As políticas de isolamento social, principalmente o fechamento dos shoppings, e a queda dos índices de confiança do consumidor e do empresariado ao longo do ano se refletiram fortemente no setor. A mudança de hábitos do consumidor, principalmente nas áreas de entretenimento e turismo, e a queda do setor de serviços – segundo o IBGE, houve uma redução de 7,8% no ano passado – foram outros fatores importantes.

O maior impacto foi observado no segundo trimestre de 2020, seguido de uma recuperação gradual. De outro lado, a digitalização de processos e serviços, as políticas de auxílio emergencial e o aquecimento da construção civil foram movimentos importantes para dinamizar o setor, mas não suficientes para uma mitigação maior dos impactos.

“O ano de 2020 foi de fato um dos mais desafiadores para todos os setores da economia brasileira, e com o setor de franquias não foi diferente. Analisando o comportamento do setor ao longo do ano, com os estudos trimestrais e, adicionalmente, as consultas mensais feitas pela ABF, graças à participação de seus associados, vejo que o resultado poderia ter sido pior, mas as virtudes do franchising amenizaram a queda. Nós temos a força do trabalho em rede, uma alta capacidade de negociar com fornecedores e promover ganhos em escala, por exemplo, porém, é com muito esforço que o ecossistema do franchising está atuando para amenizar as perdas e os impactos nos negócios”, afirma André Friedheim, presidente da ABF.

Aberturas e fechamentos

Quanto ao movimento de abertura e fechamento de unidades, o levantamento indicou que o índice de unidades abertas em 2020 foi de 6,6% frente 9,2% no ano anterior. As fechadas chegaram a 9,2% ante 4,9% neste mesmo período, resultando num saldo de -2,6%. Este percentual resultou num total de 156.768 operações em 2020 contra 160.958 no ano anterior. Já os repasses tiveram uma pequena alta, avançando de 2,3% em 2019 para 2,5% no ano subsequente.

“De fato, alguns empreendedores não conseguiram atravessar um período tão longo de adversidade, mas notamos um imenso esforço das redes para manter suas operações, negociando ou suspendendo taxas e ajudando os franqueados a buscarem alternativas de redução de custos e faturamento. Em outros casos, o negócio foi repassado a um empresário mais capitalizado, uma opção muito importante para a perpetuação de negócios e empregos. Um acesso a crédito mais facilitado e a melhoria geral do ambiente de negócios nos ajudaria a manter ainda mais unidades e, portanto, a geração de empregos, renda e impostos”, afirma André Friedheim.

Média de unidades sobe

Uma das tendências do setor de franquias brasileiro é o aumento do número médio de unidades por marca, o que demonstra maior maturidade das redes. De acordo com o estudo da ABF, a exemplo do que ocorreu em 2019, essa média teve uma alta de 6,5%, saltando de 55,2 para 58,8 operações em média por marca no período pesquisado.

Esse dado corrobora com outra tendência: o crescimento da participação de multifranqueados, sejam multiunidades (donos de franquias de uma mesma marca), sejam multimarcas (proprietários de operações de diferentes redes).

Em relação ao número de redes, o balanço de 2020 indica que houve uma redução de 8,6%, cujo total passou de 2.918 para 2.668 marcas no período analisado.

“Embora algumas redes de menor porte tenham cessado suas atividades, essa diminuição se deve mais a marcas pequenas que deixaram de franquear ou empresas que planejavam se lançar no setor, mas postergaram seus planos. É importante ressaltar também que tivemos alguns movimentos de fusões e aquisições e que novas marcas continuam a chegar, mostrando a atratividade do mercado nacional”, explica o presidente da ABF.

(fonte: Mercado e Consumo)

Prefeitura de BH modifica data de recolhimento do ISSQN

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) modificou, nessa segunda-feira (05/07), a regra geral relativa à data de recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Com a publicação do Decreto nº 17.649/2021, o prazo, antes fixado até o quinto dia do mês subsequente ao da apuração, foi alterado para o oitavo dia do mês subsequente ao da apuração.

A mudança é válida para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho de 2021. A medida modificou o Regulamento do ISSQN, estabelecido em setembro de 2019. Na época, o regulamento condensou dez decretos distintos, além de uma portaria e cinco instruções de serviço em um só documento. Com isso, a iniciativa simplificou o sistema tributário municipal, reduzindo as obrigações acessórias.

O ISSQN é um imposto municipal, previsto no artigo 156 da Constituição Federal e regulado pela Lei Complementar nº 116 no âmbito nacional e pelas Leis Complementares de cada município. Assim, cabe somente ao Executivo Municipal institui-lo, bem como delimitar suas regras.

Caixa oferece R$ 6,3 bilhões em novas operações de crédito do Pronampe

A partir deste sábado  (2), micro e pequenas empresas têm à disposição R$ 6,3 bilhões em crédito pelo Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). O dinheiro será emprestado pela Caixa Econômica Federal, que teve a ampliação do orçamento para a linha de crédito autorizada pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO).

O FGO é o fundo que cobre eventuais inadimplências nos contratos do Pronampe e reduz o risco das operações para os bancos, permitindo que as instituições financeiras ampliem os empréstimos.

Banco que lidera a concessão de créditos no Pronampe, a Caixa emprestou, desde o ano passado, R$ 15,6 bilhões. Inicialmente criado no ano passado para socorrer negócios de pequeno porte afetados pela pandemia, o programa tornou-se permanente neste ano, com o objetivo de consolidar as empresas de menor porte como agentes de sustentação, de transformação e de desenvolvimento da economia nacional.

Receita bruta

Só podem contrair empréstimos no Pronampe microempresas com receita bruta de até R$ 360 mil ou pequenas empresas com receita bruta de até R$ 4,8 milhões em 2020. As operações têm 48 meses (quatro anos), com 11 meses de carência (pausa para o pagamento da primeira prestação) e financiamento em 37 parcelas.

Os juros equivalem à taxa Selic (juros básicos da economia) mais 6% ao ano. Atualmente, a Selic está em 3,5% ao ano. Cada empresa poderá pegar até R$ 150 mil em crédito, somadas as operações já contratadas.

Os recursos podem ser usados para investimentos e capital de giro isolado ou associado ao investimento. Dessa forma, além de realizarem reformas e adquirirem máquinas e equipamentos, as micro e pequenas empresas podem usar os recursos do Pronampe para despesas operacionais, como pagamento de salário e compra de matérias-primas e de mercadorias.

 

Empresas terão mais prazo para depositar FGTS atrasado e não serão consideradas inadimplentes

Conselho Curador do FGTS estabeleceu novas regras de pagamento para os empregadores que aderiram à Medida Provisória nº 1.046/2021, que possibilitou a postergação de recolhimento do Fundo de Garantia dos funcionários. Segundo a resolução, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (30), as empresas terão mais tempo para depositar o fundo atrasado e não serão consideradas inadimplentes.

A regra vale para os empregadores que aderiram à Medida Provisória nº 1.046/2021, que definiu que os parcelamentos de débito do FGTS em curso que tenham parcelas vincendas nos meses de abril, maio, junho e julho de 2021 não impedirão a emissão de certificado de regularidade para com o FGTS.

O agente Operador e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional encaminharam proposta de adequação da norma do Conselho para que as parcelas com vencimento entre os meses de abril e julho de 2021 eventualmente inadimplidas não impliquem na rescisão automática do parcelamento.

No caso de não quitação das parcelas, fica autorizada a reprogramação de vencimentos do fluxo de pagamentos remanescentes, de modo a acomodar sequencialmente as parcelas que permaneceram em aberto a partir do mês de agosto de 2021.

As parcelas não pagas integralmente que tiverem vencido ou vencerem, originalmente, nos meses de abril, maio, junho e julho de 2021, somente poderão ser consideradas inadimplidas, para fins de rescisão do parcelamento, a partir dos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2021, respectivamente.

“Na resolução, o Conselho Curador entende que a pandemia ainda prossegue, uma vez que as empresas ainda não tiveram recuperação total, e observou a necessidade de adequação dos prazos para recolhimento do FGTS. Ela mantém a possibilidade de parcelamento e estende os prazos para o empregador”, explica a advogada Janaína Ramon, do escritório Crivelli Advogados Associados.

A nova regra altera temporariamente também a Resolução nº 940/2019 que trata das regras de parcelamento e estabelecia a permanência de três parcelas não quitadas integralmente, consecutivas ou não, como condição para a rescisão automática do parcelamento e a perda do Certificado de Regularidade para com o FGTS.

Janaína lembra que a MP estabelece que os juros e as atualizações monetárias do período sejam acrescidos das parcelas recolhidas posteriormente para evitar prejuízos ao trabalhador.

Ela observa, no entanto, que, se o funcionário precisar sacar o fundo integralmente no período para compra da casa própria, por exemplo, ele não terá o valor dessas cotas disponível.

“Em casos de liberação de saque do Fundo de Garantia, neste período, o trabalhador não vai ter o valor integral porque estas parcelas vão ficar pendentes. Mas se houver rescisão do contrato, todas as parcelas terão que ser recolhidas”, ressalta Janaína.

(fonte: Valor Economico)