‘Estamos no inferno astral, mas está acabando’, diz presidente das Lojas Marisa

Primeiro presidente profissional da Lojas Marisa, quarta varejista de moda do País, Marcelo Araujo começa em fevereiro a pôr em prática um plano para um ciclo de crescimento da empresa. Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em julho de 2016, ele admitiu que a rede perdeu mercado e que, apesar da queda de 8,9% na receita líquida em 2016 até setembro ante 2015 e da alta de 52,6% do prejuízo, a empresa está saudável financeiramente.

“Infelizmente, estamos vivendo nosso inferno astral, que está acabando.” Ele condiciona a volta ao lucro à retomada da economia. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que mudou na empresa com a sua chegada?

Uma das principais iniciativas foi a contratação da consultoria McKinsey para fazer um profundo diagnóstico da empresa. Identificamos três ativos importantes: a marca forte, a rede de lojas em todos os Estados e o nosso atendimento. A partir desse trabalho, foi elaborado um plano de três anos, com mais de 300 iniciativas, para preparar a companhia para um futuro ciclo de crescimento. O objetivo não é só crescer. Queremos aumentar o retorno sobre o capital investido e que o nosso posicionamento seja cada vez mais claro: a mulher da classe C e uma parte da classe B.

Houve um momento em que a rede ficou mais elitizada?

Com o boom de consumo da classe C, as nossas clientes ficaram mais sofisticadas e acompanhamos esse processo. Até 2013 foi muito bom, mas depois houve uma frustração de vendas e tivemos de voltar ao básico. Desde o ano passado, estamos ajustando o foco: a consumidora quer um produto acessível, mas não tão básico.

A rede perdeu mercado?

Como houve esses desajustes, perdemos market share (participação). Mas nas últimas coleções tivemos uma assertividade bem maior e recuperamos margens. Tem uma parte do problema que é estrutural e que afetou mais empresas como a nossa, que vendem para a classe C. Quem vende para a classe B sentiu menos a queda.

No terceiro trimestre de 2016, o prejuízo aumentou. Quando a empresa voltará a ter lucro?

O quarto trimestre normalmente é melhor. Mas o problema não é dar lucro num ou noutro trimestre. Isso estruturalmente estamos preparados para evoluir. Não posso brigar com a realidade. A realidade é de um momento econômico contraído, com alto nível de desemprego. O desemprego afeta diretamente a minha consumidora. É a variável que tem a maior correlação com a minha venda. Ainda não sabemos as perspectivas para o primeiro trimestre. Se começarmos a recuperar o emprego no fim do ano, provavelmente as vendas vão se recuperar também, com isso a rentabilidade será recuperada. Infelizmente, estamos vivendo nosso inferno astral. Que já está acabando. Quanto tempo ele vai se prolongar depende muito mais da recuperação da economia do que propriamente de nós.

Como será 2017?

Estamos projetando um equilíbrio ou um ligeiro crescimento para a empresa. Essa é a nossa expectativa. Mas dependerá muito do segundo semestre, se o cenário de recuperação de fato acontecer.

Pretende fechar loja este ano?

É difícil dizer quantas vamos fechar. Temos mais ou menos 5% da rede em avaliação. Temos também duas lojas em avaliação para abertura.

Qual é o desafio de ser o primeiro presidente profissional de uma empresa de origem familiar de quase 70 anos?

Vejo como um processo natural de desenvolvimento desta organização que ocorreu não porque a empresa está em crise ou não. A companhia começou a se profissionalizar lá pelo ano 2000. Depois teve um grande impulso no IPO (2007). Agora é essa etapa de colocar na presidência um executivo que não é da família.

Como engenheiro de formação e executivo que passou por Shell, Grupo Libra, CSN, que contribuição o sr. traz para o varejo?

A contribuição que trago é na experiência de gestão, não é um conhecimento específico de varejo de moda. Mas tenho conhecimento profundo do universo feminino, depois de muitos anos na Natura e na Alpargatas, com a Santista, e na própria Shell, uma grande empresa de consumo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(fonte: EM)

Consumidor tem dificuldade para renegociar dívidas, aponta pesquisa

A dívida da designer Camila Conti aumentou cerca de R$ 6 mil em menos de um ano somente por conta dos juros. Antes de deixar de pagar, ela afirma ter procurado seu banco, sem êxito, para tentar renegociar os valores que devia no cartão de crédito e no cheque especial. “Numa das últimas vezes, o gerente me passou uma proposta de parcelamento em que o valor final era o dobro da dívida”, diz.

Assim como Camila, refinanciar débitos em atraso para fugir do endividamento é um obstáculo para os brasileiros. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) com 1.815 internautas, obtida com exclusividade pelo Estado, mostra que, entre os que já tentaram uma negociação com as instituições financeiras, 60,8% não tiveram sucesso.

Para 29,1% destes consumidores, a transferência da dívida para outra empresa impediu o processo. Isso porque é comum que os bancos terceirizem para escritórios ou financeiras o trâmite de cobrança. Outros 27,3% disseram não ter conseguido novo prazo para pagar; e 24,2% foram informados de que o banco não renegocia débito cujo pagamento ainda não esteja atrasado.

Em resposta ao Idec, os bancos alegam adotar políticas de educação financeira para evitar a inadimplência. Quando os atrasos ocorrem, as instituições dizem tentar dialogar para reempacotar as dívidas. “Existe um descolamento muito grande entre o discurso e a prática dos bancos. Os consumidores têm, sim, dificuldades na hora de renegociar as dívidas”, afirma Ione Amorim, economista-chefe do Idec.

No caso de Camila, uma empresa de cobrança passou a fazer as propostas de renegociação mas, segundo a designer, as condições não foram vantajosas para que um acordo fosse fechado. Como possui conta em outro banco e um segundo cartão de crédito com limite mais baixo, ela optou por não pagar por ora o que deve.

Desemprego, problemas de saúde e descontrole do orçamento são os principais motivos que levam à inadimplência, segundo dados da plataforma de renegociação de dívidas Kitado. Em 2016, a empresa registrou 230 mil acordos fechados entre clientes e financeiras, sendo que 67% foram honrados. No ano anterior, houve pagamento em 55% dos 150 mil acertos mediados pela plataforma.

“As pessoas estão priorizando pagar dívidas relacionadas a algum bem, como casa e carro, e deixando para depois os débitos mais altos e sem garantia”, diz o co-fundador do Kitado, Paulo de Tarso.

Na Serasa Experian, outro tipo de atraso, o de contas de baixo valor, como faturas de água e luz, também ganhou espaço no ano passado, passando de terceiro para segundo lugar entre as operações de renegociação mais registradas, segundo o gerente de recuperação de crédito da Serasa Experian, Raphael Salmi. A Serasa tem hoje 59,6 milhões de consumidores negativados em sua base de dados.

Rotativo.

As altas taxas de juros e o endividamento dos consumidores brasileiros estão no radar do governo. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou medida para limitar o uso do rotativo do cartão de crédito a 30 dias. Depois desse período, o banco será obrigado a migrar o consumidor para o parcelamento do cartão de crédito ou outra linha.

Questionado, o Banco Central não soube informar se, pelas novas regras de uso do rotativo, o crédito que for migrado passará a aparecer em suas estatísticas sobre renegociação. Os dados mais atuais mostram um descolamento entre o saldo de crédito renegociado (novos e velhos empréstimos) e a concessão (só os novos créditos). Enquanto o primeiro está crescendo a um ritmo de 10% ao ano, o segundo mostra retração de 25%. A evidência, portanto, é que o saldo está crescendo basicamente pela incidência de juros ou, em outras palavras, por meio da inadimplência.

Outro dado divulgado pelo BC corrobora essa tese. Os calotes da renegociação chegam a 18,3%, a segunda maior cifra do sistema financeiro, atrás apenas do rotativo do cartão de crédito.

“Esse dado é importante porque demonstra que as medidas estão sendo insuficientes e acabam levando o consumidor e reincidir nos calotes”, diz Ione. A especialista do Idec também acredita que falta clareza sobre o processo de renegociação de dívidas. “Não conseguimos saber qual juro é oferecido.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(fonte: EM)

 

Intenção de investimento em estoque no varejo recua 0,7% em janeiro, diz CNC

Os comerciantes de todo o País começaram o ano com estoques mais elevados, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A intenção de investimentos em estoques recuou 0,7% em janeiro ante dezembro, de acordo com dados apurados na pesquisa de confiança do empresário do comércio. Na comparação com janeiro do ano passado, a queda foi de 1,7%.

O porcentual de comerciantes que avaliam estar com os estoques acima do adequado ficou em 29,5% em janeiro deste ano.

O grupo de varejistas de produtos semiduráveis – que inclui lojas de vestuário, acessórios, calçados e tecidos – é o mais insatisfeito em relação a janeiro de 2016. O porcentual de lojistas deste segmento que avaliam os estoques acima do adequado está em 25%, mas essa fatia saltou 10,6 pontos porcentuais em um ano.

“O ramo de vestuário, calçados e acessórios é historicamente alavancado pelas vendas natalinas, chegando a aumentar o faturamento em até 90% na comparação com o mês anterior. Mas menores vendas no Natal passado frustraram os lojistas do segmento, que começaram 2017 com estoques maiores do que esperavam e, por consequência, com menor intenção de investimentos em renovação de produtos”, avaliou a economista Izis Ferreira, da CNC, em nota oficial.

Os lojistas dos ramos de bens duráveis – lojas de eletroeletrônicos, móveis e decorações, entre outros – e não duráveis – supermercados, farmácias e cosméticos – ajustaram melhor seus estoques ao longo de 2016, segundo a Confederação. Mas ainda assim enfrentam dificuldades: 33,4% dos comerciantes de bens duráveis e 27,4% de não duráveis consideram seus estoques acima do desejável.

(fonte: EM)

Dólar fecha abaixo de R$ 3,13 e alcança menor valor em três meses

Em um dia de calma no mercado financeiro, a moeda norte-americana teve forte queda e voltou a alcançar o menor valor em três meses. O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (30) vendido a R$ 3,128, com queda de R$ 0,024 (-0,77%). A cotação está no menor nível desde 25 de outubro (R$ 3,107).

O dólar abriu em estabilidade, mas passou a operar em baixa ainda na primeira hora de negociação. A divisa acumula queda de 3,8% em janeiro. O desempenho mais fraco que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) dos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira (27), continuou a reduzir o valor do dólar em todo o mundo nesta segunda.

Em 2016, a maior economia do planeta cresceu 1,6%, o pior resultado desde 2011. A desaceleração da produção norte-americana reforça expectativas de que o Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, aumente os juros básicos dos Estados Unidos mais lentamente que o esperado.

Nesta semana, o Fed faz a primeira reunião de 2017 e deve manter as taxas básicas inalteradas. Taxas baixas nos países desenvolvidos estimulam a migração de capitais para países emergentes, como o Brasil, onde os juros são mais altos. A entrada de recursos financeiros empurra para baixo a cotação do dólar.

No mercado interno, a atuação do Banco Central também ajudou o dólar a cair. A autoridade monetária leiloou US$ 700 milhões em contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Esse tipo de operação tem como objetivo impedir que a cotação dispare em momentos de alta, mas intensifica a queda da moeda em momentos de baixa.

No mercado de ações, o dia foi de realização de lucros. Após uma forte sequência de ganhos na semana passada, o índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou esta segunda com forte queda de 2,66%, aos 64.278 pontos. As ações da Petrobras, as mais negociadas, caíram 5,04% (papéis ordinários, com direito a voto em assembleia de acionistas) e 4,93% (papéis preferenciais, com prioridade na distribuição de dividendos).

(fonte: EM)

Supermercados têm alta real de 1,58% nas vendas em 2016, diz Abras

As vendas dos supermercados brasileiros cresceram 1,58% em termos reais no acumulado do ano de 2016 na comparação com 2015, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A entidade considerou que o resultado ficou um pouco acima de suas projeções, as quais apontavam crescimento da ordem de 1% a 1,2% em termos reais este ano.

No mês de dezembro, as vendas subiram 2,23% ante igual mês do ano anterior. Já na comparação com novembro, houve alta real de 20,89%. Todos os valores foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A Abras revisou para baixo, porém, suas projeções para 2017. Em outubro, a expectativa anunciada pela entidade era de 1,5% de alta real este ano, mas a projeção foi cortada para 1,3%.

Em termos nominais, a alta nas vendas em dezembro foi de 8,66% na comparação com o mesmo mês de 2015. Já o resultado acumulado do ano em termos nominais é de crescimento nominal de 10,44% ante 2015.

Cesta básica

O preço da cesta de itens básicos nos supermercados brasileiros subiu 0,5% em dezembro de 2016 na comparação com novembro do mesmo ano, de acordo com a Abrasmercado, cesta composta por 35 produtos de largo consumo pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras.

O preço total da cesta saiu de R$ 480,69 em novembro para R$ 483,10 em dezembro. Já na comparação com dezembro de 2015, o preço subiu 10,03%.

Entre as maiores altas do mês passado estão itens como cebola, cujo preço aumentou 13,43% ante o mês anterior; óleo de soja, aumento de 10,19%; e farinha de mandioca, com alta de 7,91%. Já as maiores quedas foram encabeçadas por batata, cujo preço recuou 18,18%; feijão, queda de 9,12%; e queijo mussarela, retração de 2,98%.

(fonte: EM)

Consumidor está mais otimista no início de 2017, diz CNI

O consumidor brasileiro está mais otimista neste início de ano. Em janeiro, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu 103,8 pontos, um aumento de 3,5% em relação a dezembro e 5,3% na comparação com janeiro. Ainda assim, o indicador está 4,5% abaixo da média histórica.

“A maioria dos índices que compõem o Inec registra crescimento na comparação mensal. A principal razão da melhora do índice é o maior otimismo dos consumidores com relação à evolução futura do emprego, dos preços e da renda”, destaca a entidade.

As expectativas em relação à inflação melhoraram – o número de entrevistados que esperam queda nos preços subiu 8,1% em relação a novembro e 15,4% na comparação com janeiro. O grupo dos que esperam queda no desemprego subiu 8,3% e 11% nas duas comparações. As expectativas em relação à renda pessoal são melhores para 7,5% em relação a dezembro e 8,7% em relação a janeiro.

Também há uma previsão de melhora em relação à situação financeira (+2,7% na comparação com dezembro) e ao endividamento (+ 3,5%).

O único índice que registrou queda foi o de compras de bens de maior valor, que recuou 2,6% em relação a dezembro e 4,5% na comparação com janeiro.

Para o economista da CNI Marcelo Azevedo, a reação das expectativas de compra de maior valor depende da melhoria dos outros indicadores. “As compras de maior valor exigem financiamentos e, consequentemente, comprometimento de parte da renda por mais tempo. Por isso, a disposição dos consumidores vai melhorar na medida em que as pessoas se sentirem mais seguras com o emprego e com as condições financeiras”, afirma Azevedo, em nota.

(fonte: EM)

Apesar de chuvas reduzirem clientela, varejo vê expansão no início de 2017

As chuvas acima da média em janeiro em São Paulo afetaram o fluxo de clientes nas lojas do varejo, mas ainda assim o setor vê um cenário melhor que o de 2016. O varejo de vestuário considera que a primeira quinzena de 2017 foi positiva para as vendas. Segundo Edmundo Lima, diretor da Associação Brasileira de Varejo Têxtil, a dificuldade de locomoção causada pelas chuvas em São Paulo é um fator preocupante.

Levantamento da empresa de monitoramento de fluxo Virtual Gate aponta que o movimento de clientes no varejo se enfraqueceu na região Sudeste a partir do fim da segunda semana de janeiro deste ano, período que coincidiu com chuvas mais intensas em São Paulo.

(fonte: EM)

Gastos com juros do cartão de crédito podem cair pela metade com novas regras

A economia do consumidor com a nova regra que limita a utilização do rotativo do cartão de crédito poderá chegar a quase 50% em 12 meses. Essa é a diferença que o cliente deixará de pagar ao migrar dos juros mais caros do crédito rotativo para as taxas mais baixas do crédito parcelado.
A partir de abril, as administradoras de cartão de crédito não poderão mais financiar o saldo devedor dos clientes por meio do crédito rotativo por mais de um mês, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) tomada na última quinta-feira (26).

De acordo com o levantamento mais recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), os juros médios do crédito rotativo – cobrado de quem não paga a totalidade da fatura do cartão de crédito – chegavam a 15,33% ao mês no fim de dezembro. Para o crédito parcelado, a taxa média estava em 8% ao mês.

A diferença é maior quanto mais longo o tempo dos financiamentos. Uma dívida de R$ 1 mil na fatura do cartão sobe para R$ 1.534 no crédito rotativo ao fim de três meses. Com a nova regra, pela qual a taxa mais alta – de 15,33% ao mês – incide nos primeiros 30 dias e a taxa de 8% ao mês incide nos dois meses restantes, a dívida aumenta para R$ 1.345,20, diferença de 12,3%.

Ao final de 12 meses, a disparidade é ainda maior. Uma dívida de R$ 1 mil na fatura chegará a R$ 5.537,42 ao fim do período no sistema atual, financiada por meio do crédito rotativo. Pela nova regra, a mesma dívida seria corrigida para R$ 2.689,07, diferença de 51,4%.

O cálculo leva em conta as taxas médias de juros cobradas no fim de dezembro. A economia efetiva pode variar porque os bancos personalizam as taxas para cada consumidor no rotativo e no crédito parcelado. Os juros finais podem variar em função do histórico e da capacidade de pagamento do cliente.

Inadimplência

Ao anunciar as novas regras na última quinta-feira, o diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, explicou que as altas taxas de juros no crédito rotativo estão relacionadas à elevada inadimplência nessa modalidade. Segundo a autoridade monetária, a inadimplência no rotativo do cartão de crédito estava em 37% para as pessoas físicas e em 59% para as empresas no fim de dezembro.

Em relação ao crédito parcelado, a inadimplência é bem menor: 1,1% para as pessoas físicas e 2,3% para as empresas. “Hoje, uma vez em que o cliente entra no rotativo, não sabe quando vai pagar o saldo devedor. Isso cria uma incerteza que não existe no crédito parcelado, que permite às instituições adotarem um fluxo de caixa esperado das parcelas que vão entrar, dando maior previsibilidade e resultado em juros menores”, declarou o diretor do BC.

A limitação para o uso do crédito rotativo havia sido anunciada em dezembro pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como parte das medidas de reformas microeconômicas. Na ocasião, o ministro anunciou a intenção do governo de reduzir, de 30 para dois dias, o prazo de pagamento das administradoras de cartão aos lojistas. A medida, segundo as administradoras, prejudicaria as pequenas empresas de cartões e favoreceria os grandes bancos.

(fonte: EM)

Gastos com serviços continuam sendo os grandes vilões da inflação

Os gastos com serviços continuam a ser os vilões da inflação, pesando no custo de vida das famílias. Embora estejam em desaceleração, assim como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse grupo de despesas — que inclui itens tão distintos como cabeleireiros, restaurantes e pedreiros — é o que mais mostra resistência no processo de acomodação da carestia. Entre maio de 2015 e novembro de 2016, a inflação de serviços acumulada em 12 meses permaneceu abaixo da média geral. Em dezembro, no entanto, o crescimento foi de 6,5% na mesma base de comparação. O resultado recolocou o grupo à frente do IPCA, que fechou o ano passado em 6,3%.

No ano passado, refeição fora do domicílio foi um dos gastos que mais tiveram impacto na inflação. Somente esse item foi responsável por 0,29 ponto percentual (p.p.) de todo o IPCA. O sentimento para quem precisa se alimentar fora de casa todos os dias, por motivo de estudo ou trabalho, é de que não há para onde correr. “Está tudo muito caro. Só vejo aumentos de preço. Não tem redução alguma. Tento diversificar o cardápio, comendo em restaurantes mais baratos, pratos feitos, mas não tem jeito. É um gasto que pressiona muito o meu orçamento. O problema é que não posso simplesmente deixar de me alimentar”, diz o assistente administrativo George Júnior da Silva Cardozo, de 24 anos.

Dos 6,3% da inflação geral no ano passado, 1,33p.p. decorreram de preços administrados — aqueles que são controlados pelo governo, como tarifas de ônibus, energia elétrica e gasolina. Já os preços livres, sensíveis às condições de oferta e demanda na economia, tiveram impacto de 4,96p.p. no índice. Desse item, 2,2p.p. vieram dos serviços e 2.3p.p. tiveram origem em bens não duráveis, essencialmente alimentos e bebidas.

Portanto, diferentemente da carestia de 2015, marcada pela forte evolução dos preços administrados, a inflação de 2016 teve os bens não duráveis e os serviços como principais vilões. Embora os gastos com alimentação tenham impacto maior na composição dos preços livres, e, consequentemente, no IPCA médio do país, o peso desse grupo caiu mais do que o dos serviços de um ano para o outro.

Em 2015, a contribuição dos bens não duráveis foi de 2,9p.p. na composição dos preços livres. No ano passado, teve um corte de 0,6p.p. Já o impacto dos serviços caiu de 2,75p.p. para 2,22p.p. no mesmo período, mostrando um recuo equivalente, de 0,57p.p. Para o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Fábio Bentes, a causa desse movimento de resiliência é a rigidez da legislação trabalhista.

“A demanda por serviços é lastreada na renda do trabalho. Por isso, o segmento responde muito mais lentamente à desaceleração inflacionária”, destaca. “O mercado é rígido porque desestimula ajustes abruptos no quadro de funcionários das empresas e adequações na renda a curto prazo, conforme as oscilações da economia. Se houvesse maior flexibilidade, a desaceleração dos gastos com serviços e de toda a inflação poderia ser mais rápida”, acrescenta. Com o prolongamento do desemprego em nível recorde, porém, a tendência é de que até mesmo a inflação de serviços recue nos próximos meses.

(fonte: EM)

Crédito consignado desacelera mas continua a atrair brasileiros

O crédito consignado deu uma desacelerada em 2016. De acordo com dados divulgados nesta semana pelo Banco Central, esse tipo de empréstimo, conhecido pela possibilidade de desconto direto em folha de pagamento, movimentou cerca de R$ 120,6 bi no ano passado, com queda da ordem de 9% frente aos 132,6 bi registrados em 2015. Mas nem por isso a alternativa deixou de ser atrativa para os brasileiros, tendo em vista que oferece as taxas de juros mais baratas do mercado. O potencial desse tipo de transação é visto como crescente tanto no país quanto no exterior, onde já atrai investimento de empresas mineiras.

De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a redução na contratação de empréstimos consignados no último ano foi decorrente da recessão enfrentada pelo país. “O desemprego em alta já reflete neste resultado. E ainda há os estados que, também em crise, deixaram de pagar salários. Esse tipo de conjuntura também deixou os bancos mais criteriosos”, observa. Mas, para ele, basta a economia melhorar que o cenário muda.

Oliveira observa que a taxa média mensal do consignado é seu maior atrativo, mas não significa que não há riscos na contratação desse tipo de crédito. De acordo com ele, os juros desse tipo de empréstimos ficaram em 2,3%, em média, por mês, no ano passado. O do financiamento para pessoa física convencional, apresentou taxas da ordem de 5%¨. O cheque especial atingiu 13% mensais. E os juros do rotativo dos cartões de crédito atingiram 484,6% em 2016 – recorde no país. Isso significa que a taxa mensal deles superou os 15%.

“O ponto favorável está nas taxas baixas.” A afirmação é da especialista em finanças, seguros e previdência Privada Maria Inês Prazeres. Ela orienta seus clientes a fazerem trocas de créditos mais caros pelo consignado. Mas lembra que a busca por esse tipo de financiamento só deve ser feita se realmente “houver necessidade”.

“A burocracia é pequena. Por isso, muitos podem se endividar sem pensar”, observa Maria Inês. O risco existe mesmo com a limitação de 30% no uso do valor previsto na folha de pagamento. Por esse motivo, ela não recomenda o crédito para aposentados, que já têm uma renda pequena e podem comprometer seriamente o orçamento com o empréstimo. Em sua opinião, esta é uma prática que não pode ser convencida. Quem contrata deve ter consciência plena do que está fazendo.

Prático, mas ruim

A pensionista Marli Erlande dos Santos, de 71 anos, é um exemplo de brasileira que optou pelo crédito consignado para ajudar no pagamento da faculdade de uma das filhas. A contratação com a orientação correta foi ótima, segundo ela. O protocolo foi correto e ela assinou um termo solicitando o recurso. Mas depois, ela foi vítima de uma fraude. “Recebi umas ligações, a pessoa falou vários números e afirmei que conversaria com minha filha, antes de resolver qualquer coisa. Mas, do nada, um dinheiro apareceu na minha conta”, afirma.
A pessoa que falou com Marli fez um refinanciamento do seu crédito. O pagamento que seria de 60 vezes passou para 72 parcelas e sua dívida foi aumentada. “Vou entrar em contato com o banco para denunciar o que aconteceu, porque eles têm credenciados bons, mas também têm os que agem com má-fé, que foi o que ocorreu comigo”, afirmou.
Para Maria Inês, a falta de conhecimento é um dos problemas. Mas ela acredita que, com a devida orientação, o consignado tem potencial para crescimento no país. “Tem lados positivos e negativos. Por isso, tem que ter conhecimento”, afirma, lembrando que mesmo pessoas com o nome sujo conseguem contratar esse tipo de crédito, em decorrência da segurança no sistema e A baixa inadimplência em função do desconto direto na folha de pagamento.

Tecnologia

O consignado pegou no Brasil. E a tecnologia que envolve o seu desconto diretamente na folha de pagamento começa a ser exportada. A empresa mineira Zetra, que desenvolveu o eConsig sistema responsável pelo controle operacional de 4,5 milhões de descontos mensais consignados em folhas de pagamentos de mais de 200 clientes, é um exemplo de negócio bem-sucedido relacionado ao consignado.

“A plataforma interliga o fornecedor do crédito com a folha de pagamento do interessado”, explica o fundador da Zetra, Renato Araújo. Ele conta que lançou a primeira versão do programa em 2003. E hoje, a plataforma já movimenta uma carteira da ordem de R$ 60 bilhões no Brasil. O crescimento, no último ano, foi de 15%. E, como evolução, a Zetra dobrou de tamanho e agora também faz parte da SalaryFits, o braço da empresa no exterior.

Trabalho-piloto teve início no México, onde já está prevista a movimentação de US$ 500 mil neste ano. “Lá é um pouco diferente. O foco é em seguro-saúde descontado na folha de pagamento. Vamos trazer este serviço para o Brasil agora”, conta Araújo. Em sua opinião, o desconto do plano de saúde escolhido pelo funcionário público ou privado diretamente na folha de pagamento pode, inclusive, baratear o serviço para os brasileiros.

Paralelamente, a SalaryFits abriu novas frentes de negócios: na Inglaterra, em Portugal e na Índia. Os escritórios são para prospecção, mas há boas perspectivas. “Estamos exportando a tecnologia do consignado”, afirma Araújo. Os investimentos previstos pela empresa neste ano, tanto no Brasil quanto no exterior, devem somar R$ 1 milhão.

Os juros do consignado variam de acordo com a instituição financeiras e o número de parcelas. As parcelas podem variar de três a 96. Já as taxas, vão de 1,72% a 2,53% mensais.

(fonte: EM)