Novos shoppings flexibilizam os custos e focam em área de lazer

Mudança de rumo. Centros comerciais recém-inaugurados, cujos planos foram estruturados antes da crise, tiveram de adaptar as estratégias do ramo à nova realidade do varejo nacional

Pegos pela crise, grupos empresariais que inauguraram recentemente shoppings no Brasil, mas que vinham estruturando os planos desde antes da recessão, se viram obrigados a adaptar o negócio à nova realidade do varejo. Para atrair o lojista, a isenção da cobrança de ‘luva’ e preços de aluguel abaixo da média do mercado têm sido as estratégias mais adotadas.

“Estamos trabalhando com condições diferenciadas. Se o varejista não puder pagar a ‘luva’ (valor cobrado na assinatura do contrato e que dá direito ao uso do ponto comercial), por exemplo, ele faz um acordo de quatro anos, sem arcar com essa taxa, e só paga na renovação desse contrato. Não estamos cobrando o décimo terceiro aluguel, que a maioria dos centros comerciais cobra, e nem multa em caso de rescisão”, afirma o presidente do Grupo Del Rey, João Batista. A empresa inaugurou no dia 27 de outubro o Plaza Shopping Carapicuíba, na cidade de Carapicuíba (SP).

Segundo Batista, além desses aspectos, o valor cobrado pelo aluguel é outro atrativo, já que está muito abaixo dos valores praticados pelo mercado. “Se comparado ao shopping Barueri, por exemplo, que é o mais próximo do nosso empreendimento, o preço do aluguel que estamos cobrando é 20% inferior”, diz o executivo, acrescentando que todos esses benefícios foram a forma encontrada de atrair os lojistas e evitar uma alta taxa de vacância.

Atualmente, das 207 lojas que estarão presentes no shopping 110 já estão com o contrato assinado, o que representaria uma taxa de ocupação de 52%. De acordo com o empresário, os planos do lançamento do novo empreendimento iniciaram já em 2008, após uma reforma administrativa na empresa. “Tem coisa que você inicia e depois não tem como parar. A crise começou a afetar os centros comerciais em 2014. Nessa época, já estávamos com o projeto em andamento e não valeria a pena interromper”, conta Batista.

Realidade do mercado

O caso não é exclusivo do Grupo Del Rey, e, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), foram inaugurados em 2016 no Brasil um total de 16 centros comerciais. Mais quatro shopping centers devem ser inaugurados ainda este ano, e para 2017 a previsão é de 30 lançamentos. “Esses shoppings inaugurados em meio à crise foram planejados e viabilizados ainda nos tempos das ‘vacas gordas'”, afirma o sócio-diretor da consultoria GS&BW, Luiz Alberto Marinho. “Muitos têm buscado postergar as datas de inauguração, mas em algumas situações, isso não é possível”, disse ele ao DCI.

Outro empreendimento recém-inaugurado é o Morumbi Town, que foi lançado no dia 11 de outubro na cidade de São Paulo. Em linha com o Plaza Shopping Carapicuíba, os planos começaram a ser estruturados por volta de 2013, antes de a recessão atingir o País. “Calhou de vir a crise no meio do caminho, mas não acho que isso tenha nos prejudicado”, afirma o superintendente do centro de compras, Luiz Siqueira.

Apesar dessa visão, o empreendimento teve que se adaptar ao novo momento vivido pelo comércio nacional. “Tivemos que adequar os custos de ocupação à realidade do mercado, e colocamos um valor mais saudável para o lojista”, afirma. O executivo acrescenta ainda que, na contramão da maioria dos shoppings (que são muito focados nos segmentos de moda e eletroeletrônicos), a ideia do empreendimento é investir nas áreas de lazer e conveniência.

“Queremos trazer esse ramo social, ser o terceiro ambiente do consumidor (o primeiro é a casa e o segundo o trabalho). Conseguimos chegar nessa taxa de ocupação, em grande medida, por conta dessa estratégia que adotamos”, diz Siqueira. Atualmente, o empreendimento está com 97,7% dos espaços com contrato assinado.

Foco nas varejistas do Sul

Para chegar nessa taxa de ocupação, outra aposta foi investir na vinda de varejistas que tinham pouca ou nenhuma presença em São Paulo. É o caso da rede de supermercados Zaffari, que abriu no empreendimento sua segunda loja no estado; da drogaria Panvel, que inaugurou sua primeira operação em São Paulo; e da Tramontina, que também escolheu o centro comercial como sede para sua primeira unidade em território paulista. “O Zaffari foi o primeiro grande contrato que fechamos, e como ele tem várias lojas no Rio Grande do Sul, ele trouxe segurança para que outras operações do Sul do País também viessem”, afirma.

Em relação aos custos de ocupação o executivo diz ainda que em alguns casos pontuais eles também abriram mão da ‘luva’. “Depende do tamanho da loja: se for uma operação importante e que atrai bastante fluxo conseguimos não cobrar pelo ponto. Na negociação com a Tramontina, por exemplo, abrimos mão dessa taxa”, conta Siqueira.

De acordo com Marinho, da GS&BW Consultores, ambas as estratégias são assertivas diante do atual cenário. “Para atrair o lojista o shopping tem que provar que será um empreendimento de sucesso, através de sua proposta de valor, mix de lojas e área de entretenimento. Além disso, tem que oferecer um custo de ocupação menor e ser flexível em relação a isso, para que o lojista entenda que está fazendo um bom negócio em expandir agora ao invés de esperar a melhora da economia.” A opinião do especialista é compartilhada pelo professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), José Roberto Baldin, que também acredita que a flexibilização na negociação dos custos, somada a uma ‘venda’ que mostre para o lojista os benefícios que o centro de compras agregará para o cliente, são as chaves para uma boa prospecção. Segundo ele, no entanto, os shoppings precisam ter um cuidado grande na hora de definir os prazos.

“A negociação precisa ser bem feita e tem que ter essa noção de que a crise vai passar. Tem que ter uma tolerância, mas ter um prazo para terminar. É possível, por exemplo, fazer um contrato de aluguel com desconto, mas que vá gradativamente diminuindo ao longo do tempo firmado”, afirma.

(Fonte: Grupo BITTENCOURT/ DCI)

BR Malls só vê sinais de melhora no 2º trimestre de 2017

A administradora de shopping centers BR Malls vê um cenário de cautela para alguns de seus indicadores operacionais nos próximos trimestres e não espera uma melhora de ambiente significativa antes do segundo trimestre de 2017.

Em teleconferência com analistas realizada nesta quarta-feira, 16, o diretor financeiro, Frederico da Cunha Villa, afirmou que a companhia planeja reduzir gradualmente os descontos que concede aos lojistas à medida que a economia mostrar sinais de retomada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(fonte: Exame)

Fluxo de pessoas em shopping fica estável em relação a 2015

Novembro trouxe um alento para o setor de shopping, já que o fluxo médio de pessoas nos corredores dos centros comerciais ficou praticamente estável em relação a 2015, com variação negativa de apenas 0,2%. Este é o melhor resultado em cinco meses de acordo com o Iflux – índice que mede a atividade comercial em shopping, desenvolvido pelo IBOPE Inteligência e pela Mais Fluxo.

Entre os 498 shoppings centers inaugurados até 2015, 47% apresentaram variação positiva de fluxo e 53%, variação negativa, situação de praticamente empate técnico.

Os shoppings que apresentaram melhores resultados foram aqueles classificados como “dominantes” em seus mercados e os que atendem um perfil de clientes mais qualificados (predominância de classe AB).

Vale destacar que a quase estabilização do índice aconteceu apesar da “black Friday” e não por causa dela, uma vez que o fluxo de pessoas em shopping na sexta feira (25/11) ficou negativo em 3%.

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(fonte: ESPM)

O Sindilojas Cresceu!

Prezado Lojista,

O SINDICATO DOS LOJISTAS DO COMÉRCIO DE BELO HORIZONTE – SINDILOJAS BH, comunica que foi publicada pela Secretaria de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho, no Diário Oficial da União do dia 22 de novembro de 2016, a ampliação da abrangência de sua representação e de sua base territorial, passando legalmente a representar, além de Belo Horizonte, também as categorias econômicas dos lojistas do comércio nas seguintes cidades:

Brumadinho, Caeté, Confins, Lagoa Santa, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Sabará, São José da Lapa e Vespasiano.

Em decorrência, as empresas do comércio lojista estabelecidas nestas cidades, a partir da data da referida publicação, deverão proceder aos recolhimentos de suas contribuições patronais para o SINDILOJAS-BH E REGIÃO, assim como aplicar as Convenções Coletivas de Trabalho celebradas por este e pelo sindicato profissional representativo dos empregados do comércio nestas localidades.

esta forma, esta empresa, uma vez passando a ser representada pelo SINDILOJAS BH E REGIÃO, também poderá usufruir dos benefícios já conquistados em decorrência de sua representatividade, assim como aqueles por ele oferecidos, tais como:

Consultoria jurídica, sala de treinamento, autorização para a cobrança de preço diferenciado nas vendas com cartão de crédito (decisão judicial abrangendo apenas as empresas representadas pelo SINDILOJAS/BH), contratação de planos de saúde, planos de telefonia, convênio com empresa de medicina do trabalho.

Atenciosamente,

Nadim Elias Donato Filho

Presidente

Medidas microeconômicas ainda são tímidas, mas positivas, diz FecomercioSP

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) considerou que o pacote de medidas microeconômicas anunciado na quinta-feira, 15, pelo governo federal é positivo, porém avaliou que as iniciativas ainda são tímidas.

“A equipe econômica apenas avançou sobre pontos que eram basicamente unanimidade”, diz a entidade em nota.

Para a FecomercioSP, essas medidas são em geral demandas muito antigas, diagnosticadas por empresários, investidores estrangeiros e até mesmo contidas em estudos internacionais como o “Doing Business”, do Banco Mundial.

A entidade elogiou, no entanto, o que considerou ser uma coerência das propostas, que “complementam as reformas macros como o teto dos gastos, futuras reformas previdenciária e trabalhista, entre outras, pleiteadas pelo governo”.

A FecomercioSP destacou as medidas que visam facilitar o acesso ao crédito às micro, pequenas e médias empresas como algo que tende a beneficiar o varejo. “Irão simplificar e agilizar a contratação de crédito para o segmento, ampliando o montante de recursos ofertados”, concluiu.

(Estado de Minas)

Mercado vê efeito só no longo prazo de pacote econômico do governo

Em meio à crise política gerada por denúncias contra o núcleo do governo, e com a recuperação econômica mais lenta do que o esperado, o presidente Michel Temer lançou nessa quinta-feira (15) um pacote com uma série de medidas para tentar reduzir o endividamento de empresas e pessoas, a burocracia e estimular a atividade econômica.

Após ser aconselhado por auxiliares, Temer fez o anúncio pessoalmente, ao lado dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Temer disse que as medidas foram estudadas pela área econômica do governo para aumentar a produtividade do país e combater o desemprego “Depois da recessão é que nasce o crescimento e o emprego”, afirmou. Para o mercado, porém, as medidas, apesar de positivas, só devem provocar algum efeito, se forem realmente implementadas, no longo prazo.

A lista anunciada pelo governo inclui novidades, como a distribuição do lucro do FGTS entre os trabalhadores cotistas. No pacote, foram incluídas também medidas que ainda não estão prontas – como a redução do prazo para que lojistas recebam dinheiro de compras feitas no cartão de crédito – e outras requentadas, como a integração de órgãos, criação de cadastros nacionais de imóveis e redução de tempo de exportação e importação, já anunciadas por governos anteriores.

Também serão adotadas iniciativas para tentar reduzir as taxas de juros cobradas por bancos. Foi incluído ainda um novo programa de regularização de dívidas para empresas e pessoas físicas. O governo se esforçou para diferenciar o programa de Refis anteriores e ressaltou que não há perdão de multas e juros

Mas há a possibilidade de parcelar dívidas tributárias em prazo que pode chegar a até 96 meses. Para as empresas, foi permitido usar o prejuízo fiscal e outros créditos tributários para o pagamento de débitos, possibilidade já usada em programas anteriores. O governo prevê arrecadar R$ 10 bilhões com a adesão ao programa e a avaliação é que, sem isso, as empresas não teriam condições de pagar os tributos.

As empresas que devem ao BNDES também poderão renegociar suas dívidas. No caso das empresas com faturamento superior a R$ 300 milhões, somente serão refinanciados os empréstimos feitos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), um dos principais incentivos adotados no governo Dilma Rousseff. Dessa vez, porém, não haverá taxas subsidiadas pelo Tesouro.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, evitou fazer projeções sobre o impacto do pacote, mas disse que as medidas poderão elevar o PIB potencial brasileiro em até 1 ponto porcentual nos próximos anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(O Tempo)

Governo analisa liberar parte do FGTS para trabalhador pagar dívidas

O governo Michel Temer estuda liberar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o trabalhador pagar dívidas e, com isso, tentar acelerar a recuperação da economia brasileira.

Uma outra medida que está em análise é a liberação de recursos que os grandes bancos depositam obrigatoriamente no Banco Central, os depósitos compulsórios, para usá-los no refinanciamento de dívidas de pessoas jurídicas e físicas.

As duas medidas buscam combater o que é visto como um dos principais entraves para a retomada do crescimento, que é o endividamento de empresas e consumidores.

De acordo com a “Folha de S. Paulo”, a proposta seria uma ajuda às pessoas em dificuldades de pagar empréstimos, que têm taxas de juros elevadas, com um recurso que já é delas e rende menos.

Uma pesquisa da Serasa Experian, apontou que existiam 59,3 milhões de inadimplentes no país em agosto, o que representa cerca de 40% da população acima de 18 anos.

Segundo a publicação, a ideia é que os bancos usem os recursos para que empresas e consumidores peguem empréstimos a juros mais baixos para quitar dívidas mais caras, abrindo espaço para que tenham condições de tomar mais crédito e fazer a economia girar.

As duas propostas ainda dependem de um acerto final entre Temer e o ministro Henrique Meirelles.

(fonte: O Tempo)

Parcelamento do Simples é regulamentado

O Comitê Gestor do Simples Nacional publicou no dia 12 de dezembro de 2016, a Resolução nº 132/2016 que regulamenta o parcelamento dos débitos do Simples Nacional, provenientes da Lei Complementar nº 155/2016.

Destaca-se os seguintes pontos:

  • Prazo máximo: 120 mensais e sucessivas.
  • Poderão ser parcelados débitos vencidos até a competência do mês de maio de 2016.
  • O valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado.
  • O pedido de parcelamento deferido importa confissão irretratável do débito, configura confissão extrajudicial e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Resolução.
  • A dívida objeto do parcelamento será consolidada na data de seu requerimento e será dividida pelo número de prestações que forem indicadas pelo sujeito passivo, não podendo cada prestação mensal ser inferior a R$ 300,00 (trezentos reais).
  • Segundo o disposto no art. 3 da IN o parcelamento deverá ser apresentado a partir de 12 de dezembro de 2016 até as 20h (vinte horas), horário de Brasília, de 10 de março de 2017, exclusivamente por meio do site da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, no Portal e-CAC ou no Portal do Simples Nacional, para os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
  • A dívida será consolidada na data do pedido de parcelamento e resultará da soma:
    • I – do principal;
    • II – da multa de mora;
    • III – da multa de ofício; e
    • IV – dos juros de mora.
  • Reduções cabíveis:
    • I – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; ou
    • II – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de 1ª (primeira) instância.
  • O valor de cada prestação, inclusive da parcela mínima, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado.
  • A 1ª (primeira) prestação vencerá no menor prazo entre:
    • I – O 2º (segundo) dia após o pedido de parcelamento;
    • II – A data de vencimento da multa de ofício, ainda não vencida, que esteja consolidada no parcelamento;
    • III – o último dia útil do mês do pedido de parcelamento; e
    • IV- O dia 10 de março de 2017.
  • A partir da 2ª (segunda) parcela, as prestações vencerão no último dia útil de cada mês.
  • Implicará rescisão do parcelamento, a falta de pagamento de:
    • I – 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou
    • II – A existência de saldo devedor após a data de vencimento da última parcela.

O Departamento Jurídico da Fecomércio MG está à disposição para esclarecer dúvidas sobre o tema.

(Fonte: Fecomércio)

Medida provisória legalizará desconto em compras à vista

Nos próximos dias, o governo editará uma medida provisória para legalizar o desconto nas compras à vista, disse no fim da tarde de hoje (15/12) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo ele, o objetivo da medida é estimular a competição entre os diversos meios de pagamento e reduzir os juros do cartão de crédito.

Atualmente, a legislação proíbe a diferenciação de preços para quem paga à vista, em cheque ou parcela a compra no cartão de crédito. A medida provisória permitirá que o lojista ofereça desconto para o consumidor que optar pelo pagamento à vista. “Essa é uma medida vantajosa para o consumidor, que vai poder pagar menos à vista. Além disso, a medida regulariza uma prática do pequeno comércio, que já faz isso”, declarou Meirelles.

O ministro também explicou que o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam a redução do tempo em que o lojista leva para receber o valor de um bem pago com cartão de crédito. Hoje, segundo ele, o comerciante leva em média 30 dias, o que se reflete no aumento dos juros do cartão de crédito.

De acordo com Meirelles, a equipe econômica, os bancos e as operadoras de cartões estão discutindo ações para acelerar o processo. Segundo ele, o anúncio será feito em até dez dias e permitirá baixar os juros do cartão de crédito ao reduzir o custo financeiro embutido nas operações. O ministro também informou que o governo pretende obrigar que as máquinas de cartão de crédito operem com qualquer bandeira, o que diminuirá o custo de aluguel de máquinas pelos comerciantes.

Dados divulgados hoje pelo Banco Central apontam que a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito voltou a bater recorde. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos do que o valor integral da fatura do cartão. Em setembro, na comparação com agosto, houve alta de 5,3 pontos percentuais, com a taxa em 480,3% ao ano, a maior da série iniciada em março de 2011.

Spread

Para reduzir o spread bancário (diferença entre as taxas para os bancos captarem recursos e emprestarem aos consumidores), o governo criará um sistema eletrônico de duplicatas e simplificará o cadastro positivo – relação de bons pagadores. Por meio de uma medida provisória, será criada uma central de registro de duplicatas emitidas pelas empresas e de recebíveis do cartão de crédito.

Segundo o ministro, a central funcionará como um ambiente em que todos possam acessar os direitos que cada um tem a receber, permitindo a concessão de crédito com maior garantia (bens que podem ser usados para cobrir calotes) e diminuir o risco. “As principais beneficiadas pela duplicata eletrônica serão as micro e pequenas empresas”, declarou.

O governo também pretende aperfeiçoar o cadastro positivo. Atualmente, o próprio bom pagador precisa declarar que está disposto a abrir o acesso às informações bancárias por instituições financeiras que pesquisam o histórico de pagamento. Agora, o governo pretende inverter o processo. O acesso ao cadastro positivo passará a ser automático. Somente quem não quiser ter os dados pesquisados precisará declarar às instituições financeiras.

Crédito imobiliário

Na tarde hoje, o presidente Michel Temer e a equipe econômica anunciaram uma série de medidas microeconômicas para estimular a criação de empregos, melhorar o ambiente de negócios para empresários e aumentar as condições de crédito dos brasileiros.

Para estimular o crédito imobiliário, o governo pretende regulamentar a Letra Imobiliária Garantida, tipo de título privado que tem as garantias separadas do fundo emissor. Segundo Meirelles, a regulamentação entrará em consulta pública em janeiro e será definida por uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), a ser editada em seguida.

A Letra Imobiliária Garantida já tinha sido criada, mas ainda não está em circulação porque faltava ser regulamentada. “Esse é um título garantido, uma alternativa importante de recursos privados para o crédito imobiliário, que viabiliza a construção civil e estimula a contratação de mão de obra”, declarou o ministro.

(O Tempo)

Usuário cobra, e PBH e shopping fazem jogo de empurra

Consumidores de shoppings da capital começaram a exigir a gratuidade do estacionamento, que é prevista pela lei municipal 10.994/16.Entretanto, não conseguiram que a legislação fosse cumprida. “Eu sempre paguei estacionamento. Não é pelo valor. Só quero que a lei seja aplicada”, frisa a administradora Simone Magnani. Ela foi uma das consumidoras que, no último dia 1º, solicitaram a gratuidade no BH Shopping.

A lei, publicada no dia 25 de outubro deste ano, define que o estacionamento é grátis para o cliente que compre pelo menos dez vezes o valor da hora cobrada pelo estacionamento e tenha permanecido, no máximo, seis horas no shopping center ou hipermercado.

Simone conta que gastou, naquele dia no centro de compras, R$ 272, o que daria direito ao estacionamento gratuito. “Houve o caso de uma senhora que gastou R$ 3.000 e teve que pagar o estacionamento”, diz. Ela ressaltou que, além dela, outras cinco pessoas foram naquele dia no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do shopping para reclamar do mesmo problema. No dia, ela não conseguiu fazer o boletim de ocorrência (BO). “Para deixar o shopping, acabei tendo que pagar. A ideia é reunir os demais consumidores para fazer o BO e ir até o Procon juntos”, frisa.

Outro consumidor que tinha direito à gratuidade, o advogado Fernando Santana, diz que se sentiu impotente como cliente. “Mesmo aprovada, a lei não é aplicada”, reclamou.

Ele conta que procurou a administração do centro de compras, que informou que aguarda a regulamentação da lei pelo Executivo municipal. “Formalizei uma reclamação por escrito na administração, só que o gerente se recusou a assinar o recebimento do documento”, diz. Para ele, a gratuidade do estacionamento para quem compra seria uma forma de atrair mais clientes, ainda mais em épocas de crise econômica.

Procurado pela reportagem, o BH Shopping, por meio de nota, informou o mesmo que o relatado por Santana: que aguarda a regulamentação da Prefeitura de Belo Horizonte. A PBH, por sua vez, disse que “está trabalhando” na regulamentação da lei, mas não informou prazo. Logo que a lei foi promulgada, a prefeitura havia falado até em ir à Justiça contra a regra. Agora, não mencionou mais a possibilidade.

POLÊMICA

Recurso de associação contra lei já foi negado

A lei que garante a gratuidade no estacionamento aos consumidores de shoppings e hipermercados, mediante certas condições, foi originada pelo Projeto de Lei nº 33/13, de autoria do vereador Léo Burguês (PSL).

O parlamentar diz que é lamentável que a Lei n° 10.994/16 não esteja sendo aplicada pelos centros de compra e que até hoje não tenha acontecido a regulamentação pela Prefeitura de Belo Horizonte. “Isso mostra que o poder econômico está tendo uma forte atuação contra a regulamentação”, diz.

Em novembro, o pedido de liminar da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) questionando a nova legislação foi indeferido pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Para a associação, a lei municipal é inconstitucional e a entidade irá recorrer da decisão.

Para a Abrasce, os shoppings cumprem a legislação e têm o direito legal de cobrar pelo uso do estacionamento, com liberdade de administrar o negócio.

Briga. A polêmica do estacionamento gratuito, que foi parar na Justiça, começou bem antes. Depois de aprovado na Câmara, o projeto foi vetado pelo prefeito, mas o veto foi derrubado.

(fonte: O Tempo)